Weekend O valor do melhor do mundo

O valor do melhor do mundo

A oferta de bens desportivos pertencentes a atletas de topo, como é o caso do CR7, tornou-se profissional, mas continuam a existir grandes oportunidades para investidores sólidos e audazes.
O valor do melhor do mundo
José Vegar 04 de novembro de 2017 às 09:00
A atribuição ao nosso Cristiano Ronaldo, há uns dias atrás, do troféu "The Best Player" 2017 da FIFA, reacendeu, mais uma vez, a discussão, que se faz um pouco por todo o mundo, sobre quem será o supremo jogador da era que começou no fim dos anos 90. O combate tem vindo a ser travado entre Cristiano Ronaldo e Lionel Messi, e, nos últimos anos, o português recuperou a desvantagem, em números de troféus de prestígio, que chegou a ter para o pequeno argentino.

Ao mesmo tempo que se tornava o melhor do mundo 2017, Cristiano passava também a ser um dos mais valiosos no mercado dos bens culturais desportivos, no campo dos atletas ainda em competição. Nas várias plataformas virtuais, que dominam o mercado de venda de bens desportivos com valor, e onde se destacam o www.icons.com e o www.sportmemorabilia.com, para além dos vários canais eBay, os objectos relacionados com o CR7 valem já entre 400 a 1600 euros, na sua maioria.

No capítulo de uma estratégia de investimento, há pelo menos dois factores a ter em conta: o modo como o mercado opera neste momento e os objectos que consegue colocar como oferta. No que tem a ver com a primeira dimensão, o que impressiona é o profissionalismo com que os agentes da oferta actuam sobre uma base de bens que continua a mesma. Explicando melhor, os bens que interessam neste mundo são os mesmos de sempre, as camisolas, as chuteiras do atleta e as bolas com que joga, tudo autografado pelo próprio, fotografias, cartazes e "cromos" onde ele aparece, também autografados.

Este continua a ser o material de valor, mas os agentes da oferta, os clubes, as marcas e os representantes do atleta, multiplicaram os bens. Assim, de Cristiano, como dos seus pares de topo, há camisolas de clube por época, camisolas de jogos especiais, modelos de chuteiras, bolas de jogos especiais, fotografias, cartazes, tudo autografado.

Deste modo, a oferta aumentou, o que é positivo, mas o potencial de valorização de cada bem irá ser menor no futuro, porque existem muitos mais disponíveis. No entanto, uma observação cuidadosa dos bens do CR7 disponíveis, bem como dos seus pares de topo, leva-nos a perceber que há que ter muito em conta a segunda dimensão referida neste texto. O grosso da oferta relacionada com Cristiano está relacionado com a sua carreira no Real Madrid e nos últimos anos da selecção, e também com os tempos do United, mas numa escala muito mais pequena.

Do percurso inicial do jogador, feito no Sporting, quase não existem bens. Tal acontece, obviamente, porque a profissionalização deste mercado é muito recente. Assim, um investidor sólido irá procurar obter os mais valiosos dos bens em oferta, mas fará tudo para procurar aqueles que existem, mas não estão disponíveis.


Nota ao leitor: Os bens culturais, também classificados como bens de paixão, deixaram de ser um investimento de elite, e a designação inclui hoje uma panóplia gigantesca de temas, que vão dos mais tradicionais, como a arte ou os automóveis clássicos, a outros totalmente contemporâneos, como são os têxteis, o mobiliário de design ou a moda. Ao mesmo tempo, os bens culturais são activos acessíveis e disputados em mercados globais extremamente competitivos. Semanalmente, o Negócios irá revelar algumas das histórias fascinantes relacionadas com estes mercados, partilhando assim, de forma independente, a informação mais preciosa.





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