Weekend Os livros mais valiosos de 2017

Os livros mais valiosos de 2017

Já são conhecidos os livros mais valiosos vendidos em leilão em 2017. As surpresas são mais do que muitas, o que revela a diversidade de interesses dos investidores.
Os livros mais valiosos de 2017
José Vegar 20 de janeiro de 2018 às 18:00
Como sabem os fiéis e carinhosos leitores deste espaço, há muito tempo que a partilha dos "tops" anuais de valor, nas mais diversas áreas do mercado dos bens culturais, é uma das nossas dimensões preferidas. Temos destacado os mais valiosos a nível global no sector do livro raro e antigo. Este ano, deslocamos um pouco a nossa atenção para os trabalhos em papel, incluindo livros, mais valiosos em 2017, em leilão público e validado. Esta partilha não teria sido possível sem o trabalho de pesquisa feito pelo Rare Book Hub, www.rarebookhub.com, que compila exaustivamente os dados de todos os leilões referidos.

Segundo o "Hub", o valor mais alto de um só trabalho em papel atingido em leilão em 2017 apresentou uma descida acentuada em relação a 2016, de 5,6 milhões de dólares para 1,8 milhões de dólares.

Outro dado muito interessante para os investidores neste tema é que uma parte significativa dos bens mais valiosos transaccionados este ano não foram negociados exclusivamente pela Christie's e pela Sotheby's, os "big players" do leilão, mas também por casas especializadas, como a Blanchard's, a Winner's, a Aguttes e a Alde.

O "top 10" do livro mais valioso em 2017 é deveras curioso, pela diversidade de interesses dos investidores. O livro é do exclusivo interesse dos americanos e mostra como estes continuam a deter um enorme poder de investimento, e a apostar massivamente em bens culturais. Trata-se, como não podia deixar de ser, da Declaração de Independência dos EUA, escrita em 1776 por Thomas Jefferson e outros. A peça vendida, impressa em Nova Iorque, foi arrematada por 1,8 milhões de dólares.

O segundo e terceiro trabalhos em papel mais valiosos não podiam ser mais distintos. O segundo mais valioso, arrematado por 1.560 mil dólares, é uma simples nota manuscrita por Albert Einstein no Japão e entregue a um mensageiro, porque o cientista não tinha dinheiro para uma gorjeta. O texto da nota é "A calm and modest life brings more happiness than the pursuit of success combined with constant restlessness".

O terceiro mais valioso é um autógrafo de Honoré de Balzac, manuscrito do seu romance "Ursule Mirouët". Valeu 1,4 milhões de euros. As peças que alcançaram as posições cinco e quatro na escala de valor são mais clássicas. A quinta é a obra essencial de Darwin, e a quarta é uma impressão da Bíblia, de 1460. Mas a sexta, a sétima e a oitava posições voltam a trazer de novo interesses originais. A sexta é uma iluminura de 1470 que narra as aventuras de Alexandre, o Grande (990 mil dólares), a sétima é um conjunto de notas manuscritas do líder chinês Mao (916 mil dólares) e o sétimo é um livro de horas com iluminuras, de 1483, que foi adquirido por 885 mil dólares.

O "top 10" confirma ainda mais, se tal fosse preciso, a diversidade de interesses dos investidores. Na nona posição aparece um manuscrito do compositor Gustav Mahler (869 mil dólares) e o "ranking" dos 10 mais valiosos fecha com uma prancha de um exemplar da edição original de "Tintin na América", da autoria de Hergé, adquirido por 798 mil dólares. Um mercado muito interessante.


Nota ao leitor: Os bens culturais, também classificados como bens de paixão, deixaram de ser um investimento de elite, e a designação inclui hoje uma panóplia gigantesca de temas, que vão dos mais tradicionais, como a arte ou os automóveis clássicos, a outros totalmente contemporâneos, como são os têxteis, o mobiliário de design ou a moda. Ao mesmo tempo, os bens culturais são activos acessíveis e disputados em mercados globais extremamente competitivos. Semanalmente, o Negócios irá revelar algumas das histórias fascinantes relacionadas com estes mercados, partilhando assim, de forma independente, a informação mais preciosa.





pub