Weekend Os primeiros quinhentos exemplares de Harry Potter

Os primeiros quinhentos exemplares de Harry Potter

A saga Harry Potter criou um mundo único no campo da edição mas, para os investidores em livros raros, o tesouro mais valioso são os livros da modesta primeira edição.
José Vegar 22 de julho de 2017 às 09:15
E pensar que tudo começou muito modestamente há 20 anos, a 26 de Junho de 1997? Uma editora de nicho, a Bloomsbury, uma autora desconhecida, J.K. Rowling, e um herói, Harry Potter, juntam-se para, originalmente, desafiar leitores infantis e juvenis, interessados em mundos paralelos dominados pela magia, pela fantasia, e pela aventura. Tudo começou de modo tão modesto e prudente que a Bloomsbury editou apenas 500 exemplares de "Harry Potter e a Pedra Filosofal" (no original inglês "Harry Potter and the Philosopher's Stone), e esperou para ver. A história que se seguiu, vertiginosamente, não parecia estar ao alcance dos poderes do melhor mágico do mundo.

De uma forma muito noticiosa, temos sete volumes da saga, mais uns quantos relacionados com o universo Potter, oito filmes, parques de diversões temáticos e um vasto número de objectos de "merchandising". Os números apurados até agora são estonteantes. A saga tem, até ao momento, 450 milhões de livros vendidos, em 79 línguas. J.K. Rowling tem um património avaliado em 700 milhões euros. Os filmes atingiram receitas que caminham para os 8 mil milhões de euros.

Os teóricos continuam à procura de causas deste fenómeno único. No campo do fascínio, os especialistas concordam que o livro é um dos máximos expoentes da faixa "kidults", isto é, de um produto que interessa tanto a crianças como a adultos. Tal acontece porque, claro, os elementos fundamentais da história possuem um apelo emocional irresistível. No fundo, Harry é um órfão perdido, resgatado pela amizade, que num mundo paralelo, o da magia, descobre o que vale e luta contra o Mal, até destruir aqueles que mataram os seus pais, sete livros depois. Um arco narrativo épico, sim, mas muito, muito humano.

Para os bibliófilos e investidores em livros raros, o universo Harry Potter é um enorme desafio. De facto, o mercado procura responder ao sucesso da saga, e oferece os mais variados produtos. Assim, temos edições especiais, edições comemorativas lançadas pelas editoras inglesa e americana, pacotes com os sete volumes da série, edições assinadas pela autora. Todas estas edições estão bem cotadas, atingindo, cada uma delas, vários milhares de euros, e estamos apenas com vinte anos de publicação em relação à primeira edição.

No entanto, no longo prazo, deverão manter-se as regras clássicas. A edição mais valiosa será a dos primeiros quinhentos de "Harry Potter and the Philosopher's Stone", bem como, noutra dimensão, as primeiras edições dos restantes seis volumes da saga. Exemplares "first edition, first printing" em excelente estado de conservação, e assinados pela autora, serão o prémio máximo.


Nota ao leitor: Os bens culturais, também classificados como bens de paixão, deixaram de ser um investimento de elite, e a designação inclui hoje uma panóplia gigantesca de temas, que vão dos mais tradicionais, como a arte ou os automóveis clássicos, a outros totalmente contemporâneos, como são os têxteis, o mobiliário de design ou a moda. Ao mesmo tempo, os bens culturais são activos acessíveis e disputados em mercados globais extremamente competitivos. Semanalmente, o Negócios irá revelar algumas das histórias fascinantes relacionadas com estes mercados, partilhando assim, de forma independente, a informação mais preciosa.





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