Weekend Trump is everywhere

Trump is everywhere

Nova Iorque já tem Trump. Este Dezembro tem mais. A cidade sente os problemas de ter como habitante o presidente eleito nos EUA. O custo da segurança diária é uma das discussões de Manhattan, onde o ringue para patinar no gelo tem o nome do empresário.
Trump is everywhere
Darren Ornitz/Reuters
Diogo Cavaleiro 23 de dezembro de 2016 às 11:30
As grades separam o passeio pedonal da estrada. Os carros circulam, as pessoas não. Dar passos em frente é difícil. Uma parte da Quinta Avenida, ao pé do Rockefeller Center, praticamente parou. Os olhos movem-se para a direita porque, na fachada, vai haver um espectáculo de luzes de Natal. É o que explica o congestionamento no passeio. Há telemóveis a guardar o momento. O espectáculo acaba, a circulação torna-se mais fácil, mas não é a única parte da Quinta Avenida onde não se consegue andar. Mais à frente, andar no passeio torna-se difícil. As grades voltam a separá-lo da estrada. Outra vez: há telemóveis a guardar o momento. Deste lado, há jornalistas, câmaras e curiosos. Do outro, polícias ou militares, não se distingue bem - certo é que têm armas. Atrás deles, a Trump Tower.

"Trump não está aqui/[Não sei]/Quando voltar/Não roubem este sinal". As palavras estão numa folha de papel pendurada numa grade. A vigília de jornalistas, técnicos e repórteres de imagem existe à porta do edifício de 58 andares. A CNN está cá. E a polícia não está só do lado de lá a controlar as entradas do edifício. Também está nesta lateral. É preciso gerir a quantidade de turistas que param para tirar fotografias ou para ir conversando com os jornalistas que não estão em directo. Ou para ver quem protesta. Por razões ambientais, por exemplo. "Querido Pai Natal, mande Trump para Flint, Michigan" aponta um cartaz, referindo-se à cidade onde se tem vivido uma polémica devido à falta de qualidade na água. Há quem faça negócio. Por 5 dólares compra-se um botão em forma de 'pin' com a inscrição "Dump!" e um desenho do cabelo de Trump em cima de algo que só se faz na descrição de uma casa de banho. Paga-se 10 dólares e leva-se três. "Continuem a andar, não bloqueiem", alerta um elemento da polícia nova-iorquina.
A circulação mantém-se difícil, até porque falta pouco para o Natal.


Não muito longe da Trump Tower está o Plaza Hotel. Foi aí que o presidente se casou, em 1993, com Marla Maples. Também foi seu proprietário, o que lhe rendeu a aparição no "Sozinho em Casa 2": "Down the hall into the left" são as indicações que Donald Trump deu a Kevin para chegar à recepção. Hoje, vira o país para a direita. O Wollman Rink, a pista de gelo ali bem perto do hotel no sul do Central Park, conta com o nome de Trump. Historicamente, Nova Iorque já tem Trump. Agora, tem mais. Foi ele que ganhou a luz verde para a Casa Branca ao vencer Hillary Clinton nas eleições de 8 de Novembro.

Desde então, Nova Iorque tem um problema: como é aí que reside Donald Trump, há que assegurar a segurança. E tem sido o estado nova-iorquino a suportar o encargo. "O que poderia fazer a câmara com 480 mil dólares por dia? As autoridades poderiam dar uma casa a milhares de adultos sem-abrigo. Seria possível pôr em acção 400 frotas de ambulâncias ou comprar centenas de milhares de almoços escolares. Em vez disso, a cidade está a financiar a segurança do presidente eleito, Donald Trump, e da sua família". O editorial é do jornal de distribuição gratuita AMNY, onde se refere a necessidade de uma vigilância 24 horas sobre 24 horas por haver um "presidente eleito que reside num grande edifício no meio de uma zona bastante congestionada no meio de Manhattan". A polícia de Nova Iorque não só assegura a segurança; também gere o tráfego. "Sem circulação/Quinta Avenida entre as ruas 55 e 57", anuncia um placard. Não se sabe por quanto tempo mais haverá a necessidade de assegurar a prevenção. A mulher de Trump, Melania, vai ficar a viver na torre com o filho, mesmo após a tomada de posse, pelo menos até ao fim do ano escolar.

Conseguindo fugir ao tema, as 38 páginas da edição de 7 de Dezembro de outro jornal gratuito, o Metro, não deixam os passageiros da carruagem da linha verde esquecer quem é Trump. "Cancel Order": o tweet sobre os custos com a construção do novo avião presidencial Air Force One por parte da Boeing é um dos destaques. A confirmação de que, em Junho, vendeu toda a sua carteira de acções, ainda que sem mais pormenores, é outro dos aspectos referidos pelo jornal, o mesmo que não deixa escapar à agenda do dia a intenção dos republicanos de, quando se iniciar a sessão do Congresso no próximo ano, revogar a legislação de cuidados de saúde da anterior administração conhecida como Obamacare.


Há ainda o Tax Returns Uniformly Made Public Act. Ou o TRUMP Act. A proposta de diploma, que parte de um senador nova-iorquino democrata, tem como objectivo a obrigatoriedade de futuros candidatos presidenciais divulgarem a declaração fiscal nos últimos cinco anos antes da corrida para a Casa Branca, como elemento essencial para que o seu nome conste do boletim de voto em Nova Iorque. Sem a entrega, os eleitores daquele estado estariam impedidos de votar em Trump no próximo sufrágio presidencial, com data marcada para 2020.

É, contudo, outro 20 que está no futuro próximo dos americanos. À entrada do metro na rua 116, uma folha anuncia os protestos para o dia da tomada de posse, em Washington. Uma organização não-governamental pede para se lutar contra o racismo. "Não à deportação em massa". Há uma imagem de Trump. Desta vez, não está num botão nem consta a palavra "Dump". Há só um X em cima.





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