Weekend Um ícone da estrada com narrativa

Um ícone da estrada com narrativa

O modo como foi vendido um dos mais carismáticos modelos da Aston Martin mostra a evolução notável deste mercado global que não perde fulgor.
Um ícone da estrada com narrativa
José Vegar 17 de junho de 2017 às 09:00
A venda em leilão, há uma semana, de um Aston Martin DB6 Vantage Volante por 855 mil euros revela uma série de fundamentos interessantes sobre o mercado global dos automóveis de colecção, que continua a dar mostras de um aquecimento notável. Os fundamentos a ter em conta têm, primeiro, que ver com as regras do mercado, e, depois, com a profissionalização do mesmo.

No que tem a ver com o primeiro grupo, há para notar desde logo que a monopolização do mercado pelas grandes casas leiloeiras globais, especialmente a Christie's e a Sotheby's, não é de modo algum uma realidade. A venda do Aston Martin foi realizada pela Dukes, uma antiquíssima mas pequena leiloeira inglesa, o que prova, mais uma vez, que qualquer que tenha sido a razão, o proprietário optou pelos serviços de uma casa que não está de modo algum na primeira liga. O que este facto indica ao investidor é que a vigilância do mercado continua a ter de ser feita de modo alargado, muito além das leiloeiras dominadoras, ou seja, sobre leiloeiras de dimensão reduzida de negócios, mas que conseguem captar para si produtos singulares.

Ainda no primeiro grupo, é essencial assinalar o poder nunca destruído dos automóveis icónicos. Como sabem os "insiders" deste mercado, cujo conhecimento tem vindo a ser partilhado nesta página, o valor de topo nos automóveis antigos está nos exemplares da Porsche, da Mercedes e da Ferrari. No entanto, como mostra a venda que estamos a assinalar, quando um carro possui um qualquer traço histórico ou estético icónico, consegue interferir na coutada dos eleitos. Assim acontece com os Fiat, com os Land Rover ou com os primeiros BMW, só para dar alguns exemplos.

No caso da Aston Martin, tem que ver, claro, com a personalidade aventureira e charmosa que a marca conseguiu implantar no mercado, e também com o facto de estes automóveis terem estado sempre associados a condutores carismáticos, como a personagem James Bond. Quando está em causa o DB6 Vantage Volante, estamos ainda a falar de um dos modelos mais carismáticos da Aston Martin. Ao nível estético, é um autêntico ícone da estrada, e uma raridade, já que actualmente só estão referenciados 29 exemplares. No entanto, o que esta venda mostra é, realmente, o modo como o mercado evoluiu e se profissionalizou.

A informação disponibilizada antes da venda pela Dukes, e que pode ser consultada na sua plataforma virtual, mostra que já não é possível vender um carro sem antes partilhar a sua história, técnica e humana. A história técnica é fundamental para o valor do carro, e consiste essencialmente na catalogação de todas as peças principais do veículo, bem como a lista exaustiva das peças originais, as chamadas peças de fábrica, e aquelas que são excepção.

O racional é o de que quantas mais peças não originais o automóvel tiver, mais valor perde.

Mas é na descrição da história da posse, da história humana, que podemos observar o quanto o mercado evoluiu. A casa leiloeira identifica os proprietários, claro, e a história do automóvel na família, mas dá-se também ao cuidado de partilhar todas as informações relacionadas com o Vantage Volante que a família partilhou ao longo das décadas, com amigos, ou, por exemplo, com especialistas de automóveis. Ou seja, para um automóvel ter hoje um valor de topo, conta ainda a sua raridade, a sua história como veículo, a sua integridade original e o seu charme estético e industrial, mas conta igualmente o seu "pedigree".


Nota ao leitor: Os bens culturais, também classificados como bens de paixão, deixaram de ser um investimento de elite, e a designação inclui hoje uma panóplia gigantesca de temas, que vão dos mais tradicionais, como a arte ou os automóveis clássicos, a outros totalmente contemporâneos, como são os têxteis, o mobiliário de design ou a moda. Ao mesmo tempo, os bens culturais são activos acessíveis e disputados em mercados globais extremamente competitivos. Semanalmente, o Negócios irá revelar algumas das histórias fascinantes relacionadas com estes mercados, partilhando assim, de forma independente, a informação mais preciosa.





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