Weekend Um lugar de autenticidade no Vimieiro

Um lugar de autenticidade no Vimieiro

Um museu rural numa aldeia alentejana guarda com dignidade uma das melhores colecções nacionais de máquinas e ferramentas de trabalho da terra.
Um lugar de autenticidade no Vimieiro
José Vegar 07 de janeiro de 2017 às 10:15
Há um lugar de autenticidade na pequena povoação do Vimieiro, a uma escassa vintena de quilómetros da cidade de Arraiolos, no Alentejo. A autenticidade é criada pelo Centro Interpretativo - Museu Rural da aldeia, mais exactamente pela rudeza nobre do seu espólio.

O racional do museu é o de manter a memória dos modos e ferramentas do trabalho da terra na região e, por aqui, à partida, não teria muitas hipóteses de se distinguir de algumas "mecas" do tema já referidas neste escrito, como são as galerias rurais do Museu de Etnologia, ou outros museus espalhados pelo nosso território. No entanto, sem margem para dúvida, há algo de único naquela paragem, nota o visitante após alguns momentos de surpresa, e sem precisar de estar especialmente atento.

O primeiro culpado da autenticidade é o conjunto de fotografias que ilumina as paredes de cada módulo, dando história a cada uma das actividades agrícolas. São fotografias vindas de arquivos municipais, de autores desconhecidos, e que terão sido vistas durante muitos anos como documentais. Mas, na verdade, têm uma força extraordinária, talvez porque fixem a rudeza do modo rural de trabalho.

O segundo culpado pela autenticidade é o rigor e a atenção ao pormenor dados pelos curadores do museu. Para cada uma das actividades agrícolas, do processo de feitura do azeite à matança do porco, são partilhadas todas as fases do processo e mostrados todos os instrumentos que permitem a sua execução. Não há uma única falha, o que é fantástico, e esta integridade permite ao visitante a entrada num mundo que, afinal, lhe é desconhecido.

De facto, a quantidade de ferramentas exibidas e a solidez do seu restauro, fazem-no descobrir formas e estéticas absolutamente únicas, e lamentar que muitos deles já não tenham função determinada. De entre os inúmeros exemplares fabulosos, uma alcova, alguns machados e um bom número de varas de azeitona captam toda a atenção. O terceiro culpado pelo manto de autenticidade que domina o espaço que descrevemos é a colecção de máquinas agrícolas existente. Os arados são os mais extraordinários que existem no nosso território, e as outras máquinas, detalhadamente íntegras, não ficam atrás. Numa altura em que os instrumentos agrícolas atingem boas cotações no mercado global dos bens culturais, o Centro Interpretativo - Museu Rural do Vimieiro é uma jóia que merece ser tocada por muitos.

Um bom horário

Apesar de estar localizado numa aldeia de um Alentejo relativamente remoto, o museu tem um bom horário de funcionamento, todos os dias das 10h às 13h, e das 14h às 18h. O museu fecha à segunda-feira e à terça-feira, e fica no Largo Professor Doutor José Caeiro da Matta, num dos extremos da aldeia, no edifício da Santa Casa da Misericórdia. O contacto telefónico é o 266 490 254. 



*Nota ao leitor: Os bens culturais, também classificados como bens de paixão, deixaram de ser um investimento de elite, e a designação inclui hoje uma panóplia gigantesca de temas, que vão dos mais tradicionais, como a arte ou os automóveis clássicos, a outros totalmente contemporâneos, como são os têxteis, o mobiliário de design ou a moda. Ao mesmo tempo, os bens culturais são activos acessíveis e disputados em mercados globais extremamente competitivos. Semanalmente, o Negócios irá revelar algumas das histórias fascinantes relacionadas com estes mercados, partilhando assim, de forma independente, a informação mais preciosa.




A sua opinião1
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
comentários mais recentes
Anónimo 07.01.2017

Utensilios do tempo em que o povo comeu o pao q o diabo amacou.Quem por la nao passou nao imagina o que a vida naquel tempo era.A fidalguia contemporanea nao os faz olhar para traz.Cada vez mais se desvaloriza as geracoes idas.Ainda e de imaginar que interesse tem 1 aluno pela disciplina de historia

pub