Weekend Um nicho cultural

Um nicho cultural

O surf e o modo de vida americano das décadas de 50 e 60 são recuperados através de uma plataforma digital de imagens. Um exemplo para os que se dedicam às inúmeras microculturas portuguesas.
Um nicho cultural
José Vegar 07 de outubro de 2017 às 09:00
Uma das maiores revoluções todos os dias permitida pela tecnologia ligada às plataformas digitais é a sua apropriação para objectivos de nicho. Num tempo anterior ao das plataformas digitais, num tempo que já não recordamos, um projecto de nicho era uma utopia sentimental e intelectual que só seria atingida com o recurso à bondade de um mecenas. De facto, os custos de produção e de logística eram sempre demasiado altos para as receitas, e o mercado tornava-se inevitavelmente pequeno. Com as plataformas digitais, e com todas as tecnologias que as servem, ou que permitem a criação dos seus conteúdos, o cenário é distinto. Os custos de produção baixam terrivelmente, um pouco de suor garante uma política de comunicação activa, e o mercado torna-se global. O que é necessário, apenas, é que o projecto tenha substância e fundo, e que exista algum rigor na sua criação. Dentro deste contexto, uma área onde os empreendedores mais têm apostado é a da fotografia, tanto na vertente documental, como na vertente artística.


Em Portugal, existe uma enorme variedade de microculturas.
É tempo de que os seus registos imagéticos sejam arrancados da escuridão. 


No entanto, apesar da vastidão de propostas avançadas, ideias como a do Archiv - https://archiv-e.com/- provam que existem ainda muitos nichos por explorar. O Archiv tem uma estratégia temática, isto é, procura um grande tema aglutinador, e também cativante, para reunir um conjunto de imagens. Neste caso, o tema são os desportos de contacto com a natureza, especialmente o surf, nos Estados Unidos da América, com um enorme foco nas décadas de 50 e 60 do século passado. O que os curadores do Archiv fizeram foi reunir a produção de um conjunto de fotógrafos de topo relacionados com o tema, efectuando depois a sua selecção. As imagens são depois impressas com um nível de qualidade profissional, e vendidas a um preço acessível a um mercado que é efectivamente global. O que distingue as fotografias alojadas na plataforma, que são realmente na sua maioria icónicas, é a sua forte marca "vintage", como se o grão e o preto e branco nos tornassem extremamente nítida uma época e um modo de vida do qual só temos uma vaga noção e fabulada. Mas, em outra dimensão, são também imagens com um enorme poder estético, e que assim se tornam eternas. O projecto do Archiv tem um enorme valor só por si, mas deverá merecer especial atenção pelos nossos lados. Tendo nós uma enorme variedade de microculturas, do cante até ao surf, por exemplo, é tempo de que os seus registos imagéticos sejam arrancados da escuridão do esquecimento. Certamente haverá mercado para alguns destes projectos de nicho.


Nota ao leitor: Os bens culturais, também classificados como bens de paixão, deixaram de ser um investimento de elite, e a designação inclui hoje uma panóplia gigantesca de temas, que vão dos mais tradicionais, como a arte ou os automóveis clássicos, a outros totalmente contemporâneos, como são os têxteis, o mobiliário de design ou a moda. Ao mesmo tempo, os bens culturais são activos acessíveis e disputados em mercados globais extremamente competitivos. Semanalmente, o Negócios irá revelar algumas das histórias fascinantes relacionadas com estes mercados, partilhando assim, de forma independente, a informação mais preciosa.





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amanda Há 1 semana

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