Weekend Uma família muito moderna

Uma família muito moderna

Barack, Michelle, Malia e Sasha abriram a Casa Branca aos cidadãos. Os norte-americanos renderam-se ao estilo informal dos Obama. Michelle sai do posto de primeira-dama como uma “mom-in-chief” altamente presidenciável.
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A Casa Branca deixou de ser intangível. As filhas Obama contribuíram. "Estas miúdas são encantadoramente normais", dizia, ao Washington Post, Emily Bernard, professora da Universidade do Vermont.
David Santiago 20 de janeiro de 2017 às 11:07
A família Obama marcou uma posição na sociedade norte-americana não só pelo que disse, mas também pelo que ficou dito de forma não verbal. Pelo estilo. Pelas acções. Barack, Michelle, Malia e Sasha abriram a Casa Branca aos cidadãos.

Barack Obama é conhecido por todos, e idolatrado por muitos, pelos seus dotes oratórios. Mas a linguagem corporal do Presidente também deixou uma marca forte. E não apenas a dele. A primeira-dama Michelle e até as filhas do casal também imprimiram o seu estilo forte e popular. Como titula um texto de Robin Givhan, editora de moda do Washington Post: "Para os Obama, ser 'cool' faz parte do trabalho." A linguagem corporal do primeiro Presidente e da primeira-dama negros na História dos Estados Unidos falava intimamente para os afro-americanos, traça Robin Givhan. Um estilo que, segunda a editora de moda, reflectia também a sua "cultura contemporânea", algo que terá ficado claro quando, na campanha de 2008, Barack e Michelle "chocaram punhos" em vez de um convencional dar de mãos. Como amantes da cultura pop, os representantes da Casa Branca tiveram a comunicação facilitada com o público. "Agora sou primeira-dama, mas nem sempre o fui. Sou um produto da cultura pop. Sou consumidora da cultura pop e sei aquilo que mexe com as pessoas", admitia a inquilina da Casa Branca numa entrevista à revista Variety. Para a historiadora Raquel Varela, Michelle esteve longe de ser uma "primeira-dama clássica". Teve "atitudes mais simpáticas, uma atitude intelectual e uma personalidade muito mais próxima" do que o habitual. Na opinião da escritora Inês Teotónio Pereira, ex-deputada do CDS-PP, "estas lufadas de ar fresco nas lideranças são excelentes", pelo que o casal Obama ficará "para a História como o primeiro a inaugurar esse estilo" mais informal e próximo das pessoas.

Além da "popularidade" evidente do casal Obama, Barack e Michelle souberam usar as redes sociais quase como [John F.] Kennedy soube, na altura, aproveitar a televisão, salienta Inês Teotónio Pereira. Para a ex-deputada do CDS, essa capacidade criou, junto dos cidadãos, a percepção de uma proximidade com a Presidência nunca antes sentida. Com os Obama, a Casa Branca deixou de ser intangível. As filhas Obama também contribuíram para isso. "Estas miúdas são encantadoramente normais", apesar do "fardo de representarem a raça [negra]", expressou, ao Washington Post, Emily Bernard, professora da Universidade do Vermont.


Nos últimos oito anos, Michelle Obama centrou a sua acção na promoção do desporto, da alimentação saudável, do combate à obesidade e na defesa do sucesso escolar. Sempre com as desigualdades como pano de fundo, até porque a obesidade afecta desproporcionalmente as famílias mais pobres e as crianças de raça negra, sublinhou a primeira-dama. Foi criticada pela "ligeireza" destas opções e respondeu: "Foram as minhas escolhas e tentei enfrentá-las da forma mais autêntica possível." Talvez por isso nunca tenha deixado de, apesar das críticas aos "braços muito musculados", usar vestidos de manga cava. E hoje Michelle é, até, um forte ícone de moda. E uma força política. "[Michelle] foi ganhando influência como primeira-dama (...) e foi uma das poucas a fazer aprovar legislação", destaca, citada pela NBC, Allida Black, historiadora oficial das primeiras-damas. Já Raquel Varela considera que Michelle Obama manteve "um apoio acrítico a todo o legado do marido sem se envolver na sua administração".

Michelle entrou na Casa Branca com a intenção de proteger a sua intimidade e a da família. Sai agora com elevados índices de popularidade e como uma das mais proeminentes figuras políticas do país. Depois de ter feito campanha pela eleição daquela que seria a primeira Presidente norte-americana, vários apoiantes apelam ao seu regresso à Casa Branca. Não como primeira-dama, mas como Presidente.

Na Convenção Democrata de 2012, Michelle disse exercer o "mais importante cargo do mundo: 'mom-in-chief'". Mas, em Novembro, em entrevista à Vogue, admitia já não conhecer o futuro. Garantia apenas: "Estarei sempre envolvida, de alguma forma, com o serviço público." "[Michelle Obama] irá, naturalmente fazer carreira. Ao contrário das aparências e da propaganda, nem as filhas nem o marido são o seu projecto de vida", considera Raquel Varela, que antevê, para a mulher de Barack, um "papel de destaque na política americana". Mais cautelosa, Inês Teotónio Pereira diz que a "isso só o futuro responderá".


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