Weekend Uma recuperação da pedra

Uma recuperação da pedra

Um projecto sólido e apostado na longa-duração procura colocar a pedra portuguesa no topo da escolha de criativos e designers da primeira liga global.
Uma recuperação da pedra
José Vegar 23 de setembro de 2017 às 11:00
Ao primeiro olhar, é apenas uma exposição de design com nomes fortes. A exposição, com o nome "Set In Stone", é um dos pontos do London Design Festival, está aberta até 25 de Outubro, e reúne um número importante de arquitectos e designers de renome, entre eles Eduardo Souto de Moura e o colectivo Elemental, mas também Jasper Morrison, Jorge Silva, Michael Anastassiades, Miguel Vieira Baptista, Paulo David, Peter Saville e o duo Sagmeister & Walsh. A ideia da exposição é a de mostrar os muitos modos de trabalhar a pedra.

Cada um dos criativos apresenta uma peça, que, em alguns casos, tem um destino especificamente funcional, e, em outros, reúne simplesmente uma proposta estética. Só por si, a exposição, por mostrar o trabalho de criativos maiores, e por ser construída por um material, a pedra, normalmente arredado das primeiras escolhas dos designers, já merece atenção e deslocação. Mas a verdade é que a "Set In Stone" é apenas mais um movimento de um projecto com história e em curso que procura meter em lugar de destaque a pedra portuguesa.

Iniciado há uns anos pela equipa do ExperimentaDesign e com apoios públicos e de empresas portuguesas do sector, o projecto Primeira Pedra, www.primeirapedra.com, está, de modo muito discreto, a provocar uma pequena revolução.

A primeira dimensão revolucionária é de comunicar ao mundo criativo e empresarial que Portugal tem das maiores reservas de pedra do mundo, e que a pedra portuguesa tem uma qualidade superior. Afinal, estamos a falar de um país com níveis abundantes de mármores e calcários, mas também de um país de regiões abundantes de granito, e ainda outras onde existem vastos depósitos de pedras mais raras, como xistos e ardósias.

Assim, a ideia do Primeira Pedra é a de sinalizar que Portugal é um destino de pedra. Mas a segunda dimensão revolucionária do projecto é talvez a mais importante. De facto, o objectivo que concentra os maiores esforços é o de elevar a aplicação da pedra, tirando-a de um material que se destina a revestimento de espaços públicos e privados, de calçadas a paredes, para um material que pode ser usado para todo o tipo de objectos, equipamentos e funções.

É aqui que tem entrado o convite a arquitectos e designers, entre outros criativos, procurando que o seu conhecimento e visão permitam a criação de peças que possam vir a ser produzidas empresarialmente, e que se tornem opções, ao lado de outras feitas de madeira, plástico, ou materiais reciclados. Para já, o projecto, que pode ser conhecido integralmente na morada virtual, tem captado a atenção a nível internacional. O passo seguinte é o de que a pedra portuguesa seja eleita como uma opção de topo das grandes casas de design, e que a partir dela surjam peças que se tornem icónicas, e únicas.



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