Weekend Uma viagem com história

Uma viagem com história

A necessidade de oferecer valor ao viajante está a mudar os bens dos operadores deste sector, obrigando-os a desenhar produtos que escapem à massificação imperial.
Uma viagem com história
José Vegar 01 de julho de 2017 às 09:00
Sabem os leitores fiéis deste reduto informativo que, desde o primeiro minuto, a viagem foi incluída como um dos mais preciosos bens culturais, a merecer atenta e periódica atenção. Tal deve-se, obviamente, ao facto de que a viagem, embora de natureza imaterial, produz no investidor o mesmo efeito que os outros bens referidos, o da experiência e posse de uma coisa que o enriquece e transforma.

O grande problema nesta tipologia de investimento, como temos vindo a anotar, é que se tem tornado cada vez mais complexo encontrar bens que justifiquem o investimento, devido à natureza dominante da viagem contemporânea. De facto, como todos nós de algum modo sabemos, uma combinação do aumento do rendimento da classe média global, a entrada no mercado de companhias de aviação de produto barato e a expansão da oferta hoteleira fizeram com que as geografias remotas e vedadas se tornassem próximas e permitidas.

Conhecendo intimamente este cenário, e tentando manter o seu estatuto de geradores de valor alto do investimento em viagens, alguns agentes da oferta posicionaram-se, e continuam a fazê-lo, no segmento da "experiência" e da exclusividade.
No entanto, como verificamos todos os dias, o valor deste segmento é muito frágil, exactamente porque a dimensão da oferta anula os conceitos que a mesma oferece. Assim, não é surpresa que, ultimamente, alguns operadores tentem encontrar bens alternativos no seu sector, e surjam com hipóteses de conceitos que gerem interesse.

Uma das mais interessantes explorações desta possibilidade é a que está a ser criada por um muito reduzido número de empresas, e gira à volta do conceito da construção de uma história a ser vivida pelo viajante durante o seu percurso. De um modo simplista, o que estas empresas, que não são já apenas de viagens, fazem é contribuírem para a construção de uma história escrita por e numa viagem. A história pode ser sugerida pelo viajante, ou, pelo contrário, ser identificada pela empresa, que a disponibiliza ao viajante.

Assim, na primeira hipótese, temos, por exemplo, a reconstrução possível e a participação do viajante num evento histórico, ou, num segundo grupo, a organização de uma viagem em torno de uma questão enigmática. Alguns dos exemplos que vimos no portefólio destas empresas vão de uma aventura de espionagem na Ásia Central até ao contacto com matemáticos conceituados envolvidos no estudo de um teorema.

O que impressiona nesta oferta é o nível da produção, envolvendo a utilização de actores, a contratação de especialistas e o acesso a locais privados ou vedados. Existem várias empresas destas em operação mas, pelas informações que recolhemos, as britânicas Brown + Hudson, Brownandhudson.com, Based on a True Story, basedonatruestory.co.uk, e The Key, the-key.ch, são as líderes. Boas viagens.



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