Weekend Virgolino Faneca explica o bem que lhe fez o Web Summit

Virgolino Faneca explica o bem que lhe fez o Web Summit

Virgolino Faneca explica que o Web Summit, coisa mais fina do que a Cimeira da Rede, correu especialmente bem à sua pessoa porque não foi lá. Confuso? Leia a explicação que isso passa.
Virgolino Faneca explica o bem que lhe fez o Web Summit
Celso Filipe 11 de Novembro de 2016 às 17:00
Prima Joana

Venho por este meio informar-te de que o Web Summit correu muito bem e Lisboa recebeu com garbo os milhares de estrangeiros que nos honraram com a sua presença. Correu muito bem, especialmente para mim, que não fui lá e continuo sem descortinar a diferença entre o Web Summit e uma Cimeira da Rede. Aliás, comentei esta minha dificuldade com o Edmundo, o barbeiro lá do bairro, que não me ajudou coisíssima nenhuma na sua resolução do enigma, tendo sido mesmo indelicado, ao afirmar que redes só se usam nos cabeleireiros e são mariquices de mulheres. Não me digas que te viraste ó Virgolino, questionou o Edmundo com um riso garganeiro, enquanto aparava as minhas patilhas com a bela da navalha, circunstância que me impediu de o mandar para a cimeira da mãe dele.

Voltando ao cerne desta questão, que foi o dos benefícios do Web Summit para a minha existência durante esta semana, passo de seguida a sistematizá-los para teu cabal entendimento.

1) Soube sempre onde estava Durão Barroso, conseguindo assim evitar cruzar-me com ele;

2) Estive três dias sem ir à noite ao Bairro Alto e ao Cais do Sodré, poupando uma caterva de dinheiro;

3) Graças ao Paddy Cosgrave, durante uma semana, não ouvi falar do Wolfgang Schäuble;

4) Senti-me muito mais instruído depois de saber que os carrinhos de choque e os carrosséis querem ser classificados como actividade cultural. Afinal, todos os Verões, por altura da feira lá da terra, levo um banho de cultura;

5) A espectacular e maravilhosa Maria Leal sumiu-se para descanso do meu sistema nervoso;

6) Tive oportunidade de chegar mais tarde ao trabalho, argumentando que a rede de metro estava congestionada devido ao enxame de paspalhos que se dirigiam para a Expo;

7) Consegui vender uma caixa de fósforos vazia por 1.500 euros, pintada com as cores do Web Summit, dizendo tratar-se de um dispositivo de alta tecnologia para comunicar com o além, uma versão pós-moderna da técnica de ludíbrio que consiste em transaccionar caldos de galinha, fazendo-os passar por placas de haxixe;

8) Descobri que, afinal, toda a gente já sabia, à excepção do próprio, que Trump ia ganhar as eleições nos EUA;

9) Finalmente, consegui conviver com a minha vizinha Odete, que me convidou para ver no seu sofá a novela Pedro Dias, um piloto sem asas, a primeira co-produção entre todos os canais de televisão nacionais. Devo confessar que fiquei nas nuvens e mais não digo sem a presença de Sandra Felgueiras.

E pronto, Joaninha. Como vês, esta coisa do Web Summit foi altamente rentável para mim e estou ansioso pela edição do próximo ano. Já tenho umas ideias, mas só as vou revelar quando o senhor António Domingues, da CGD, depositar a sua declaração de rendimentos no Tribunal Constitucional, o que quer dizer que bem podes esperar sentada.


Um chi-coração deste que te estima,

Virgolino Faneca

Quem é Virgolino FanecaVirgolino Faneca é filho de peixeiro (Faneca é alcunha e não apelido) e de uma mulher apaixonada pelos segredos da semiótica textual. Tem 48 anos e é licenciado em Filologia pela Universidade de Paris, pequena localidade no Texas, onde Wim Wenders filmou. É um "vasco pulidiano" assumido e baseia as suas análises no azedo sofisma: se é bom, não existe ou nunca deveria ter existido. Dele disse, embora sem o ler, Pacheco Pereira: "É dotado de um pensamento estruturante e uma só opinião sua vale mais do que a obra completa de Nuno Rogeiro". É presença constante nos "Prós e Contras" da RTP1. Fica na última fila para lhe ser mais fácil ir à rua fumar e meditar. Sobre o quê? Boa pergunta, a que nem o próprio sabe responder. Só sabe que os seus escritos vão mudar a política em Portugal. Provavelmente para o rés-do-chão esquerdo, onde vive a menina Clotilde, a sua grande paixão. O seu propósito é informar epistolarmente familiares, amigos, emigrantes, imigrantes, desconhecidos e extraterrestres, do que se passa em Portugal e no mundo. Coisa pouca, portanto.



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