Weekend Virgolino Faneca pede reverencialmente asilo político a Renato II

Virgolino Faneca pede reverencialmente asilo político a Renato II

Seguindo o exemplo de José Manuel Coelho, Virgolino Faneca decidiu pedir asilo político a Renato II e aproveita para dar uns conselhos a SAR para desenvolver o ilhéu da Pontinha.
Virgolino Faneca pede reverencialmente asilo político a Renato II
Celso Filipe 10 de fevereiro de 2017 às 17:00
Caro Renato II

É com misto de emoção e nervosismo que me dirijo a si, Sua Alteza Real (SAR), príncipe do ilhéu da Pontinha, na medida em que não é todos os dias que um humilde plebeu se atreve a escrever a alguém portador de um título nobiliárquico, como é o seu caso.

De todo o modo, arrisco, presumindo que o sangue azul que lhe corre nas veias também será prenhe de sentimentos bondosos e capaz de tolerar esta minha ousadia epistolar.

Pois que lhe redijo esta missiva porque, à semelhança do senhor José Manuel Coelho, quero requerer asilo político ao ilhéu em que reina de forma magnânima. O meu pedido fundamenta-se no facto de estar a ser perseguido politicamente no continente por energúmenos vestidos de toga, os quais me condenaram a 10 meses de cadeia em virtude de ter cantado o Hino Nacional em pelota durante a tomada de posse do nosso ilustre Presidente da República, o professor Marcelo. Na circunstância, fui detido por agentes da autoridade e, no calor da refrega, proferi palavras menos simpáticas para as mãezinhas deles. Em resultado, foi-me imposta a pena referida, por atentado à moral, perturbação da ordem pública e desrespeito das forças de ordem.

Ora, eu tenho muito mais que fazer do que ir para a prisão. Tenho de ver a novela, ir à apanha de cogumelos, catrapiscar com a dona Hortense da retrosaria, ludibriar uns camones na Praça do Comércio, jogar ao dominó na tasca do Ambrósio, ir para a última fila da Assembleia da República, passando por deputado, só para tirar uma soneca e posicionar-me como testa-de-ferro dos chineses que gostam de fazer batota no desporto.

Julgo que estes nobres motivos são mais do que satisfatórios para que SAR me conceda asilo político e até a cidadania do principado, o que também aportaria vantagens para o ilhéu da Pontinha, as quais passo a enumerar. O número de habitantes registaria um crescimento vertiginoso, passando de zero para três, eu, você e o Zé Manuel, viabilizando assim a prática no território de desportos como as copas ou a lerpa. Com dois cidadãos, SAR poderia formar um exército capaz de travar eventuais ímpetos colonialistas da Madeira e até preparar uma empreitada expansionista, como por exemplo a tomada das Selvagens. Além disso, poderíamos revezar-nos na celebração de matrimónios, sendo que o Zé Manuel, tipo futebolista polivalente, poderia fazer de dama de honor, convidado ou pai, de acordo com as necessidades do casal.

Também pensei que SAR poderia aproveitar este impulso criando uma ambiciosa estratégia de afirmação que poderia começar por convidar o doutor Alberto João Jardim para cidadão do ilhéu. Com quatro, já poderíamos jogar à sueca ou ao king, em sua homenagem, e o Alberto, que se transcendia nos discursos do Pontal, poderia começar a fazer os da Pontinha, atraindo assim a comunicação social para a nossa causa. E porque um país não pode só ter homens, o passo seguinte deve ser o de encontrar umas quantas súbditas para equilibrar as coisas. Tenho umas ideias nesta matéria. Por exemplo, a Irina Shayk, só para provocar o madeirense CR7; a Diana Chaves, por causa do apelido que dá para fazer trocadilhos giros; a Rita Pereira, porque consegue olhar para dois lados ao meu tempo dando uma boa vigia; e a Cláudia Vieira, porque dá jeito ter alguém que percebe ao mesmo tempo de banca e cabelos.

Eu, por apego ao reino e com grande sacrifício pessoal, estou disposto a aceitar que me nomeie ministro dos Negócios Estrangeiros, cabendo-me a ingrata tarefa de ir por esse mundo fora em missão diplomática, sobretudo às ilhas paradisíacas do Pacífico, à procura do reconhecimento do ilhéu com Estado soberano.

Despeço-me reverencialmente,

Virgolino Faneca


Quem é Virgolino Faneca

Virgolino Faneca é filho de peixeiro (Faneca é alcunha e não apelido) e de uma mulher apaixonada pelos segredos da semiótica textual. Tem 48 anos e é licenciado em Filologia pela Universidade de Paris, pequena localidade no Texas, onde Wim Wenders filmou. É um "vasco pulidiano" assumido e baseia as suas análises no azedo sofisma: se é bom, não existe ou nunca deveria ter existido. Dele disse, embora sem o ler, Pacheco Pereira: "É dotado de um pensamento estruturante e uma só opinião sua vale mais do que a obra completa de Nuno Rogeiro". É presença constante nos "Prós e Contras" da RTP1. Fica na última fila para lhe ser mais fácil ir à rua fumar e meditar. Sobre o quê? Boa pergunta, a que nem o próprio sabe responder. Só sabe que os seus escritos vão mudar a política em Portugal. Provavelmente para o rés-do-chão esquerdo, onde vive a menina Clotilde, a sua grande paixão. O seu propósito é informar epistolarmente familiares, amigos, emigrantes, imigrantes, desconhecidos e extraterrestres, do que se passa em Portugal e no mundo. Coisa pouca, portanto.






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