Weekend Virgolino Faneca pergunta a Palmira se Trump será um gato

Virgolino Faneca pergunta a Palmira se Trump será um gato

Virgolino Faneca escreve a a Palmira, que tem um negócio de agro-pecuária no Missouri, para que esta o esclareça sobre a chafurdice que por lá anda. As interrogações são muitas e exigem respostas prementes.
Virgolino Faneca pergunta a Palmira se Trump será um gato
Celso Filipe 13 de Janeiro de 2017 às 17:00
Cara Palmira

Espero que esta te encontre bem, a ti e a todos os teus, aí no Missouri, onde te tens destacado no negócio dos bacorinhos, o que fez de ti uma milionária da agro-pecuária.

Ora, como nesse negócio se chafurda muito, lembrei-me de recorrer a ti para que me elucides sobre a chafurdice que para aí vai em relação a Donald Trump e um suposto relatório onde se diz que o futuro Presidente dos EUA (é mesmo razão para pedir que Deus abençoe a América) solicitou a um grupo de prostitutas russas que fizessem um "golden shower" (em inglês soa melhor do que escrever um chuveiro de mijo), urinando na cama de um hotel de Moscovo onde terão dormido, meses antes, Barack Obama e a sua esposa Michelle.

Trump, é claro, diz que se trata de uma notícia falsa e de uma caça às bruxas, embora eu nunca tenha visto um bruxo platinado a voar numa vassoura. Bruxas e bruxos, principalmente elas, têm invariavelmente um nariz adunco com uma verruga na ponta, são encarquilhadas e têm o cabelo espigado. Mais, Trump deixou, indignado, uma pergunta aos serviços secretos que terão coligido a dita informação mijona e outras de natureza igualmente escatológica sobre a sua pessoa: Estamos a viver na Alemanha nazi? A esta questão até eu respondo. É claro que não. Se estivéssemos, o senhor Trump pertenceria à classe dos arianos e, por esta altura, em vez de prometer construir muros, estaria a pensar tratar dos mexicanos com outro tipo de chuveiradas.

Mas isto são cogitações da minha lavoura e este é um caso nítido de agro-pecuária, pelo que tu, Palmira, és a pessoa indicada para esclareceres as minhas perplexidades. Por exemplo, será que Trump vai mimetizar o comportamento dos gatos e pernoitar em todos os quartos de hotel usados pelo casal Obama? Será que Putin é mais inteligente do que Trump? (Esta é fácil de responder). Existe alguma probabilidade de a esposa de Trump, a eslovena menina Melania, ser afinal uma agente infiltrada ao serviço do KGB? (Se fosse verdade, dava um filme do caraças e mesmo não sendo também dá). Haverá possibilidade de trocar, ou seja, colocar Arnold Schwarzenegger, que agora está a apresentar o "Celebrity Apprentice", na Casa Branca, e devolver Trump ao "reality show"? (Se for para andar à porrada com os russos, Schwarzenegger tem clara vantagem sobre Trump). É mesmo verdade que Donald Trump foi eleito Presidente dos EUA, ou isto é obra do BuzzFeed para promover a estreia de um qualquer filme?

Ilumina-me querida Palmira, porque apenas vejo breu pela frente. De tal forma que só me ocorre citar a jornalista da revista brasileira Veja, Vilma Gryzinski, que termina assim uma notícia sobre Trump: "Distinguir entre verdade e mentira não só está ficando cada vez mais impossível como parece ser inútil."

Um beijo afectuoso deste teu, 

 

Virgolino Faneca


Quem é Virgolino Faneca

Virgolino Faneca é filho de peixeiro (Faneca é alcunha e não apelido) e de uma mulher apaixonada pelos segredos da semiótica textual. Tem 48 anos e é licenciado em Filologia pela Universidade de Paris, pequena localidade no Texas, onde Wim Wenders filmou. É um "vasco pulidiano" assumido e baseia as suas análises no azedo sofisma: se é bom, não existe ou nunca deveria ter existido. Dele disse, embora sem o ler, Pacheco Pereira: "É dotado de um pensamento estruturante e uma só opinião sua vale mais do que a obra completa de Nuno Rogeiro". É presença constante nos "Prós e Contras" da RTP1. Fica na última fila para lhe ser mais fácil ir à rua fumar e meditar. Sobre o quê? Boa pergunta, a que nem o próprio sabe responder. Só sabe que os seus escritos vão mudar a política em Portugal. Provavelmente para o rés-do-chão esquerdo, onde vive a menina Clotilde, a sua grande paixão. O seu propósito é informar epistolarmente familiares, amigos, emigrantes, imigrantes, desconhecidos e extraterrestres, do que se passa em Portugal e no mundo. Coisa pouca, portanto.






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