Vinhos Douro na rota da edição de luxo

Douro na rota da edição de luxo

Duas colheitas antiquíssimas de Porto Tawny foram agora escolhidas para uma edição limitada, o que coloca o Douro no centro das atenções dos operadores de topo do mercado global.
Douro na rota da edição de luxo
José Vegar 24 de março de 2018 às 09:00
Há uns tempos, assinalámos neste espaço a extraordinária operação encetada pelo "broker" Last Drop Distillers no mercado do whisky e do vinho de topo. No essencial, a Last Drop entende muito bem o mercado global contemporâneo, concentrando-se no racional mais valioso, a capacidade de oferecer um produto singular e excepcional. Para o conseguir, a Last Drop pesquisa incessantemente nas destilarias, caves e adegas das localizações mais valorizadas, essencialmente Escócia, Japão, Bordéus e Borgonha, não esquecendo outras paragens de nível elevado, procurando encontrar produções limitadas, envelhecidas e de grande nível.

Quando o produto é classificado de nível excepcional, a Last Drop vende-o em edição limitada. Vem esta recuperação do modo de fazer do "broker" muito a propósito de assinalar, porque Portugal entrou agora numa edição, lançada há poucos dias. O produto escolhido foi um Porto Tawny, colhido e envelhecido pela Quinta do Vale de Dona Maria, no Douro, propriedade de Cristiano Van Zeller.

As duas colheitas de Porto Tawny escolhidas pela Last Drop têm uma distância entre si de envelhecimento em casco de 100 anos, com a primeira pertencente à de 1870, e a segunda à de 1970, um ano classificado de excepcional. Fiel às suas edições limitadas, a Last Drop disponibiliza apenas 770 duos de garrafas, ao preço de 4.500 euros.

O duo dá pelo nome de Last Drop Centenário, e está já disponível nos revendedores, em plataforma digital ou em loja física. A entrada do Porto Tawny da Quinta do Vale de Dona Maria no clube restrito das edições limitadas tem várias consequências muito importantes. A primeira, e porventura mais valiosa, é que reafirma o Douro como território não só de vinho e Porto de qualidade, o que é comprovado todos os anos pela crítica, mas também como local onde o produto é bem tratado e conservado, garantindo que décadas depois é possível encontrar e engarrafar um tipo de produto ainda superior, isto é de valor excepcional. Ou seja, coloca o Douro ao nível de Bordéus e Borgonha.

A segunda consequência é que a identificação de um produto de valor elevado, como é este Porto Tawny, faz com que outros "brokers" encetem as suas investigações, procurando detectar produções semelhantes. Em resumo, o Douro fica no radar dos operadores de topo do mercado global, o que é um estado muito interessante.

Nota ao leitor: Os bens culturais, também classificados como bens de paixão, deixaram de ser um investimento de elite, e a designação inclui hoje uma panóplia gigantesca de temas, que vão dos mais tradicionais, como a arte ou os automóveis clássicos, a outros totalmente contemporâneos, como são os têxteis, o mobiliário de design ou a moda. Ao mesmo tempo, os bens culturais são activos acessíveis e disputados em mercados globais extremamente competitivos. Semanalmente, o Negócios irá revelar algumas das histórias fascinantes relacionadas com estes mercados, partilhando assim, de forma independente, a informação mais preciosa.





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