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Empresas e consumidores devem trabalhar em conjunto para a transição sustentável

O mundo vive várias crises sobrepostas ao mesmo tempo que procura fazer a transição de comportamentos, de negócios e de toda a sociedade para uma matriz mais sustentável. A webtalk “As Marcas do Futuro – O Futuro das Marcas” juntou marcas e consumidores numa discussão que aponta a união de esforços como o caminho a seguir para atingir a meta da sustentabilidade.

27 de Julho de 2022 às 10:43

A webtalk "As Marcas do Futuro – O Futuro das Marcas", promovida pela DECO PROTESTE em parceria com o Jornal de Negócios, no passado dia 22 de julho, uniu marcas e consumidores numa discussão que visa promover a sustentabilidade, e onde todos têm um papel a desempenhar como agentes de mudança.

A webtalk contou com a abertura institucional de Rita Pinho Rodrigues, head of Public Affairs and Media Relations da DECO PROTESTE, e com quatro convidados que debateram a sustentabilidade empresarial, nomeadamente, Ana Barbosa, responsável de Sustentabilidade da IKEA Portugal, António Pereira Joaquim, head for Communication & External Affairs da Nissan Portugal, Elena Aldana , diretora de Assuntos Públicos, Comunicação e ESG do Lidl Portugal, e Elsa Agante, team leader de Energia e Sustentabilidade da DECO PROTESTE.

Como organização de defesa dos consumidores, a DECO PROTESTE destaca ser essencial a participação dos consumidores nesta transição. "Consideramos que os consumidores devem estar no centro de toda esta discussão e queremos, de alguma forma, poder envolver consumidores e marcas para atingir aquilo que são as metas e os desígnios nacionais", começou por referir Rita Pinho Rodrigues, que acrescentou que a DECO PROTESTE está a promover a instituição do Dia Nacional da Sustentabilidade, a ser celebrado a 25 de setembro, que fará de Portugal o primeiro país a ter um dia nacional sobre esta temática. "Este é o nosso contributo para que cada consumidor informado faça as suas escolhas e tenha preocupações de sustentabilidade", acrescentou Rita Pinho Rodrigues.

Este dia irá contribuir para ajudar na sensibilização dos portugueses que, ainda assim, já demonstram preocupações crescentes com a temática da sustentabilidade. Para Elsa Agante, "uma grande percentagem de cidadãos já tem esta noção, mas ainda há outros que é necessário sensibilizar". Por isso, "é importante marcar este dia para assinalar as mudanças de comportamentos e de hábitos que todos vamos ter que ter e também para mostrar o que está a ser feito e o que nos falta fazer", acrescentou.

Como uma das principais cadeias de supermercado em Portugal, o Lidl tem uma proximidade com os consumidores que também lhe permite avaliar a evolução positiva dos consumidores portugueses perante a temática da sustentabilidade. E apesar das crises que o mundo vive atualmente que afetam consumidores e empresas, Elena Aldana destacou que "a sustentabilidade é um tema estrutural em que temos de trabalhar todos os dias", que passa por uma operação que vai muito além do que se vê nas lojas e nos produtos.

"Desde 2019 que temos toda a nossa energia de fontes renováveis e estamos a instalar pontos de carregamento em todas as nossas lojas. Já temos mais de 100 lojas com pontos de carregamento. Colocámos também painéis fotovoltaicos nas nossas instalações para a poupança energética e este ano vamos atingir a neutralidade carbónica", exemplifica a responsável do Lidl.

Também Ana Barbosa, da IKEA Portugal, considera a sustentabilidade "uma necessidade, mas também uma vantagem competitiva, sendo necessário incorporá-la na estratégia das empresas".

Com a sustentabilidade presente desde sempre nos produtos que oferece, a cadeia sueca ainda assim sentiu necessidade de delinear uma estratégia, em 2012, que foi revista em 2018, tendo já aprendido algumas lições sobre o melhor caminho a seguir: "Aprendemos é que é super importante ter a estratégia integrada na estrutura e nas equipas. Os diferentes departamentos devem assumir a sua parte na estratégia de sustentabilidade", destaca Ana Barbosa.Para além disso, acrescenta, "é muito importante sermos ambiciosos nas metas e ter pontos de medição".

Para António Pereira Joaquim, no caso do setor automóvel, existe uma grande dificuldade que tem a ver com os timings: "Os nossos planos de negócio são muito longos e isso significa também que não só os investimentos são muito pesados, como a rapidez da mudança para uma sustentabilidade maior também não é tão célere".

O responsável da Nissan assinala que à velocidade com que as pessoas trocam de carro, e tendo em conta o padrão atual em Portugal, "se tivermos vendas de 175 mil carros em média por ano, vamos demorar 38 anos mudar todo o parque automóvel. E a verdade é que neste momento estamos a vender 10% desses 175 mil, portanto, não vai ser sequer em 2050, mas sim em 2060 ou 2070 que vamos conseguir atingir o carbono zero em termos de mobilidade automóvel em Portugal".

A marca acabou de anunciar um investimento de 1,15 mil milhões de euros numa fábrica em Inglaterra para a tornar neutra em carbono, que inclui não só a produção de veículos, como a produção de energia 100% renovável. "Isto obviamente vai levar alguns anos a implementar e será depois replicado noutros mercados", referiu António Pereira Joaquim, num total de um investimento de 16 mil milhões de euros para conseguir ter todas as gamas eletrificadas na Europa até 2030.

 

Obstáculos à transição num mundo em ebulição

Para além da heterogeneidade do mercado, empresas e consumidores vivem ainda no rescaldo de uma pandemia e sofrem os múltiplos efeitos de uma inesperada guerra na Ucrânia, entre os quais a pressão na inflação. No caso de Portugal, segundo dados do Instituto Nacional e Estatística (INE), a inflação já vai nos 8,7% e é a maior dos últimos 30 anos. E como respondem os consumidores a isto?

A responsável do Lidl conta que "notamos que subiu a frequência de compra e reduziu o ticket médio. Isto quer dizer que as pessoas preferem ir mais vezes à loja e comprar aquilo de que precisam. É um consumo menos impulsivo e mais racional que acontece sempre neste tipo de situações". Isto poderá ser um obstáculo à mudança de comportamentos, sendo que produtos mais sustentáveis não significa necessariamente que sejam mais caros. "Isso é um mito, pelo menos no Lidl", acrescentou Elena Aldana.

Outro obstáculo à transição para a sustentabilidade é o greenwashing. Quase metade das alegações ambientais em produtos na Europa são falsas ou enganosas, o que pode travar aqueles consumidores que procuram produtos sustentáveis, por sentirem pouca confiança no consumo. "A maioria dos rótulos na Europa não são controlados e certificados por uma entidade terceira, o que acaba por ser injusto para as marcas e as empresas que verdadeiramente têm essa preocupação", referiu Elsa Agante, que indicou que num inquérito levado a cabo recentemente em Espanha se concluiu que mais de 40% dos consumidores já desconfiam de rótulos ecológicos.

A team leader de Energia e Sustentabilidade da DECO PROTESTE destaca, assim, a importância das certificações na área da sustentabilidade realizadas por entidades credíveis, para dar confiança aos consumidores. No caso da organização de defesa dos consumidores, o selo "Escolha Verde" é atribuído após o produto ou serviço passar nos diversos testes feitos em laboratório. 

Ana Barbosa destacou como obstáculo à transição a ideia de que a sustentabilidade é um custo, demonstrando exatamente o contrário na IKEA: "Comparado com 2016, o negócio está a crescer 15% e a pegada em valor absoluto está a decrescer 6%. Portanto, conseguimos demonstrar que é possível desassociar o crescimento do negócio do aumento de emissões de CO2. Acho que este tipo de exemplo de concretização pode ser muito inspirador".


As empresas demonstraram que podem ser agentes de mudança em toda a linha dos critérios ESG (sigla em inglês para ambiental, social e governação), não só pela redução das emissões de CO2 na cadeia de calor, como pela intervenção social através de vários projetos de apoio à comunidade e também internamente.


Por fim, questionados sobre os maiores riscos e oportunidades que esta transição traz para a sociedade, Elena Aldana destacou que as empresas não podem perder o foco: "O importante é não perder o objetivo final mesmo que aconteça este tipo de desafios no curto prazo. É preciso continuar a trabalhar para termos um planeta melhor do que temos hoje".


Por sua vez, Elsa Agante reforçou a necessidade de manter o foco, não deixando ninguém ficar para trás. "A transição energética vai ser acelerada e se calhar não vai ser tão suave como se pretendia. Esta mudança de comportamento vai ter um custo, seja pelos hábitos, seja financeiro, e existem realmente alguns setores da sociedade e muitos consumidores que vão ter que ser ajudados para não ficarem para trás".


Também salientando o foco como absoluta necessidade nesta transição, António Pereira Joaquim considera que também é preciso manter os pés na terra. "Por vezes, queremos fazer coisas que são impossíveis, como ter em 2035 ou 2050 o parque automóvel completamente elétrico. É utópico, portanto, não podemos perder energias a tentar fazê-lo, o que não quer dizer que não nos devemos concentrar nesse objetivo".


Por fim, Ana Barbosa reforçou o risco de olhar para a sustentabilidade apenas como um custo e não como uma vantagem competitiva. Por outro lado, destaca a necessidade de envolver todos nesta transição, desde colaboradores a clientes, "porque de facto o consumidor tem que estar nesta mesa redonda", conclui a responsável de Sustentabilidade da IKEA Portugal.