Ajuda Externa Augusto Mateus: Portugal vive “ajustamento mais intenso” dos últimos setenta anos

Augusto Mateus: Portugal vive “ajustamento mais intenso” dos últimos setenta anos

Economista aponta que ajustamento que Portugal está a fazer é maior do que os do passado porque “a dimensão dos problemas é muito maior”. E que Portugal viveu virado para dentro sem prestar atenção ao que se passava no mundo.
A carregar o vídeo ...
Ana Laranjeiro 28 de janeiro de 2013 às 18:08

Para o economista Augusto Mateus, o ajustamento que Portugal está a fazer é “o maior em três gerações”. “Nos últimos setenta anos, é o ajustamento mais intenso em termos de sacrifício de nível de vida e de consumo. Este ano vamos ter um nível de consumo global que é 12,3% inferior ao que tínhamos em 2008”, afirmou aos jornalistas à margem da iniciativa da APED e da Eurocommerce intitulada “O papel do comércio moderno na retoma económica”.

 

O economista apontou que só em meados de 2014 Portugal vai alcançar o patamar em que se encontrava em Novembro de 2010, isto é, o mês em que o País começou a ajustar porque o consumo e a actividade económica começaram a cair.

 

Mas o ajustamento em curso é o maior dos últimos setenta anos “porque a dimensão dos problemas é muito maior” do que foi no passado. “E é maior porque o mundo mudou muito e a concorrência aumentou muito”, bem como “porque, em Portugal, prestamos pouca atenção a essa mudança no mundo”.

 

O economista explica que Portugal viveu voltado para si próprio, não observando o que se passava no resto do mundo.

 

“A sociedade portuguesa fechou-se muito. Dedicou-se muito a auto-estradas, estádios de futebol, a casas, a centros comerciais”, ou seja “virou-se muito para dentro e prestou pouca atenção à sua capacidade de produzir bens e serviços para o mundo e, desse ponto de vista, gerar riqueza. Temos uma crise de competitividade que advém muito de nos termos virado para dentro”, frisou.

 

Por outro lado, os sectores de actividade que estão na base das exportações tornaram-se cada vez mais internacionais, mas “os nossos recursos não foram” para as exportações.

 

Quando este período de ajustamento terminar, o economista espera que Portugal seja o “melhor possível”. “Não podemos escapar aos ajustamentos e não podemos ter estratégias tontas como estratégias financeiras sem dimensão económica e social. Temos de ter uma estratégia económica e social e também financeira”, disse.

 

Todavia, apontou Augusto Mateus, “não podemos pedir aos melhores portugueses – ou os mais interessados – que estudem reformas de mil milhões ou de oitocentos milhões” porque “reformas são reformas e produzem poupanças se forem bem feitas”.

 

Portugal tem de “corrigir muita coisa, mas no essencial temos de equilibrar os nossos direitos com as nossas responsabilidades”. Não “para reduzir direitos, mas para que eles durem”.




Saber mais e Alertas
pub

Marketing Automation certified by E-GOI