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Banca reabre hoje mas cipriotas ficam impedidos de transferir dinheiro para fora

Controlos de capital foram apresentados ontem e têm poucas excepções. Bancos abrem hoje ao meio-dia.

Reuters
Nuno Aguiar naguiar@negocios.pt 28 de Março de 2013 às 00:01
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Quer transferir dinheiro para fora do país? Não pode. Vai viajar? Abra lá a mala e deixe ver se tem mais de três mil euros. Pagaram-lhe em cheque? Não pode levantar, só depositar. Os cipriotas ficaram ontem a conhecer os controlos de capital que, segundo as autoridades, irão vigorar na ilha durante um período de quatro dias, findo o qual a medida poderá ser renovada. Os bancos abrem amanhã às 12 horas.

"Acho que as medidas serão razoáveis", afirmava de manhã Michalis Sarris, ministro das Finanças cipriota. "Os bancos vão abrir quinta-feira [hoje]. Veremos qual a melhor forma de limitar a possibilidade de grandes somas de dinheiro saírem [do país], sem impor condições punitivas para a economia, empresas e particulares."

Durante a tarde, a Reuters, "Wall Street Journal" e o grego "ekathimerini" foram avançando a lista de medidas. Entre elas está a proibição de resgate antecipado de depósitos a prazo; de levantamento de cheques (apenas se poderá depositar); fazer pagamentos acima de cinco mil euros por mês no estrangeiro com cartões de débito e crédito; transporte de quantias superiores a três mil euros para o exterior (veja todas na caixa). O limite de levantamentos diários por multibanco deverá ser fixado nos 300 euros.

"Graças a uma má gestão política, temos agora uma estreia: controlos de capital na Zona Euro. Quanto tempo significa ser "temporário"? Pode acabar por ser como a Islândia e estendê-los por muitos anos", explica à Bloomberg Nicolas Veron, do "think tank" Bruegel. Esses controlos foram accionados pela Islândia em 2008, duram até hoje e deverão continuar até 2015. A originalidade do plano cipriota é que isto será feito por um país integrado numa união monetária.

Um euro ainda vale o mesmo?

É a pergunta que mais discussão tem levantado em relação a estas limitações de movimentação de capital. Segundo o Credit Suisse, os controlos "criam uma situação em que um euro cipriota não é igual a um euro de qualquer outro país, de uma perspectiva económica". Além disso, avisa para o perigo de um fuga de depósitos, mas as limitações desapareçam. O Nomura, concorda: "Actualmente acreditamos que não é controverso argumentar que um depósito no Chipre não vale o mesmo que um depósito na Alemanha."

A discussão começa agora a centrar-se noutros países. Existem mais Estados-membros com sectores financeiros insuflados, com Luxemburgo e Malta à cabeça. "O Luxemburgo está preocupado com as declarações desde que a crise de Chipre se agravou", pode ler-se num comunicado do governo. "Os problemas que os bancos cipriotas enfrentam incluem perdas relacionadas com obrigações gregas, enquanto os bancos malteses têm uma exposição limitada a países resgatados", sublinhou à Reuters Josef Bonnici, governador do Banco Central de Malta.

A banca luxemburguesa tem activos 22 vezes superiores à dimensão da sua economia. A maltesa, oito vezes maior (o mesmo que Chipre).

 
Controlos de capital

Lista das limitações divulgadas ontem.

 

À hora de fecho desta edição, o governo cipriota ainda não tinha feito um anúncio oficial, mas vários órgãos de comunicação social foram divulgando a lista de controlos de capital que vigorarão, pelo menos, durante quatro dias.

 

Depósitos

Nenhum depósito a prazo pode ser levantado antes da sua maturidade.

 

Cheques

Estarão autorizados depósitos de cheques, mas não o seu levantamento.

 

Transferências para o exterior

As transferências para o exterior estão proibidas, com algumas excepções: transportar três mil euros em viagem, transferir até 10 mil euros por trimestre para estudantes no estrangeiro, pagamento de importações.

 

Utilização de cartões

Cartões de crédito e de débito terão uma utilização máxima de cinco mil euros por mês no estrangeiro.

 

Limites para levantamentos

Cipriotas poderão levantar até 300 euros por dia.

 

Prazo de aplicação

A todas as contas durante 4 dias

 

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