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Banco de Portugal: Impactos da troika no desemprego estrutural são difíceis de avaliar

Banco de Portugal fez um balanço do programa da troika enquadrado nos desenvolvimentos económicos do País na última década, evidenciando as debilidades estruturais do País.

Rui Peres Jorge rpjorge@negocios.pt 28 de Maio de 2014 às 13:44
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Portugal reagiu rapidamente à terapia do programa de ajustamento da troika, a qual lhe garantiu o retorno a uma situação financeira mais sustentável e a correcção de desequilíbrios que se prolongavam há décadas. Os custos desta estratégia de ajustamento, nomeadamente em termos de emprego, não são no entanto ainda claros, avalia o Banco de Portugal. Muito dependerá do retorno da economia a taxas de crescimento.  

 

"A crise económica e financeira internacional e a crise da dívida soberana na área do euro que lhe sucedeu tornaram inadiável a correcção dos desequilíbrios macroeconómicos existentes na economia portuguesa, muitos dos quais radicavam em problemas estruturais cuja solução foi sendo sucessivamente adiada ao longo das últimas décadas", lê-se na introdução de um estudo sobre economia portuguesa incluído no relatório do Conselho de Administração do Banco de Portugal publicado quarta-feira.

 

O banco central defende que o programa da troika, "assinado em Maio de 2011, foi desenhado para corrigir, de forma gradual e ao longo de três anos, os principais desequilíbrios da economia portuguesa" e que os objectivos foram "globalmente cumpridos", embora reconheça que a totalidade dos impactos da crise, nomeadamente no desemprego estrutural, não são ainda claros.

 

"Durante o processo de ajustamento, os agentes económicos reagiram rapidamente à alteração de incentivos e tomaram decisões consistentes com uma expectativa de queda acentuada e persistente do rendimento da economia portuguesa", avalia o banco central, que diz que "as empresas orientaram de forma crescente a produção de bens e serviços para os mercados externos, com aumento de produtividade nos sectores transaccionáveis" e que "os particulares reduziram significativamente o consumo e aumentaram a taxa de poupança".

 

Alguns impactos negativos do ajustamento não são no entanto ainda claros, reconhece a instituição liderada por Carlos Costa. Por exemplo, "a não criação líquida de emprego acentuou-se durante o período de ajustamento, em particular nos sectores mais expostos à actividade interna" sendo que "no âmbito da transformação estrutural em curso, é difícil estimar o impacto da reafectação de recursos no desemprego estrutural" da economia, lê-se no documento.

 

Regressar a um crescimento económico sustentado será decisivo para minimizar os custos dos últimos anos: "Não obstante tais progressos [de reequilíbrio económico conseguidos durante o programa de ajustamento], o regresso da economia portuguesa ao financiamento de mercado em condições de normalidade terá de assentar num crescimento sustentado do produto. Esta é também uma condição necessária para a redução do elevado nível de desemprego prevalecente na economia - que constitui um dos aspectos mais gravosos do processo de ajustamento – e do endividamento", defende o banco central. 

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