Ajuda Externa BNP: Portugal ficou mais próximo do segundo resgate após chumbo do Constitucional

BNP: Portugal ficou mais próximo do segundo resgate após chumbo do Constitucional

Portugal não deverá, nos prazos previstos, receber a nova parcela do empréstimo da troika, nem obter a extensão dos prazos de reembolso do empréstimo. Estas são as consequências mais imediatas do chumbo do Tribunal Constitucional, mas haverá mais, dizem os analistas do banco francês.
BNP: Portugal ficou mais próximo do segundo resgate após chumbo do Constitucional
Negócios 08 de abril de 2013 às 11:23

Portugal não deverá receber em Maio a nova parcela do empréstimo da troika, de dois mil milhões de euros, nem deverá obter a extensão dos prazos de reembolso do empréstimo, como estava previsto que fosse acordado na reunião do final desta semana dos ministros europeus das Finanças (Ecofin).

 

Estas são, no entender dos analistas do BNP, as consequências mais imediatas do chumbo, pelo Tribunal Constitucional, de quatro medidas incluídas no Orçamento do Estado deste ano que, nas contas do Governo, deixam um rombo de 1,3 mil milhões de euros que terá agora de ser, pelo menos parcialmente, compensado por cortes nas despesas públicas, o que poderá significar a antecipação do processo de reforma do Estado em áreas como as prestações sociais, Educação, Saúde e no universo das empresas públicas.

 

De acordo com uma nota de análise divulgada nesta manhã, este novo foco de incerteza tenderá a desestabilizar os mercados financeiros, podendo adiar o planeado retorno de Portugal às vias tradicionais de financiamento, designadamente a emissão de dívida a 10 anos, essencial para que o BCE se disponha a comprar títulos no mercado secundário de modo a facilitar uma baixa das "yields" e um regresso sustentável aos mercados. Nessa medida, os analistas consideram que o país ficou, assim, mais próximo de ter de pedir um segundo resgate.

 

A reacção do Governo, ao afastar o cenário de demissão e de eleições antecipadas e ao garantir que tentará encontrar medidas alternativas para cumprir a meta do défice de 5,5% do PIB acordada com a troika, é encarada de forma favorável pelos analistas do BNP. Ainda assim, escrevem, esta postura não elimina completamente os novos riscos de derrapagem e de atraso ao regresso aos mercados decorrentes da decisão do Tribunal Constitucional.

 

As taxas de juro da dívida portuguesa permanecem hoje, 8 de Abril, em alta, embora menos acentuada do que nas primeiras horas, quando atingiram máximos de finais de Fevereiro devido ao chumbo do Tribunal Constitucional a quatro normas do Orçamento do Estado.

 

Os juros da dívida pública portuguesa atenuaram o movimento de forte alta registado durante as primeiras horas da manhã, com a “yield” das obrigações a 10 anos a regressar a valores inferiores s 6,5%.

 

De acordo com as taxas genéricas da Bloomberg, a “yield” da dívida com maturidade a 10 anos sobe 6 pontos base para 6,42%, abaixo dos 6,568% verificados no início da sessão. Esta última taxa foi a mais elevada desde 28 de Fevereiro.




Marketing Automation certified by E-GOI