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Catroga: “Ainda estamos no meio do caminho” do programa de corte da despesa

Presidente do Conselho Superior da EDP defende a ministra das Finanças no caso dos “swaps” e diz que o Governo tem ainda que fazer muitos cortes na despesa, pois aumentar impostos já não é possível. “Eu só em Outubro é que começo a trabalhar para mim”, desabafou.

39.º- Eduardo Catroga
Presidente do Conselho Superior da EDP mantém poder activo na área empresarial - e não só.
Pedro Elias/Jornal de Negócios
Negócios 01 de Agosto de 2013 às 02:25
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Eduardo Catroga afirmou esta noite que o Governo português vai ainda a “meio do caminho” no plano para cortar na despesa pública, sendo esta a única solução para garantir a sustentabilidade da dívida pública portuguesa, numa altura em que já não existem medidas extraordinárias disponíveis e o aumento de impostos não deve ser uma solução.

 

“Ainda estamos no meio do caminho”, disse Catroga na entrevista à SIC Notícias, citando números para sustentar o seu raciocínio.

 

A despesa pública atingiu um “triste recorde” de 89 mil milhões de euros em 2010, que “nos “levou à bancarrota” e representava mais de 50% do PIB. No Orçamento Rectificativo para este ano o objectivo é de 81 mil milhões de euros, mas existe ainda um “’gap de 7 a 8 mil milhões de euros que tem que ser resolvido”, adiantou Catroga, salientando que com as receitas a representarem cerca de 40% do PIB, representa valores pouco superiores a 72 mil milhões de euros, mesmo com o crescimento do PIB.

 

Deste modo, o corte de despesa de 4,7 mil milhões de euros que o Governo acordou com a troika para os próximos três anos “é o mínimo” a implementar, disse Catroga na entrevista.

 

O ritmo deste ajustamento na despesa “depende do que conseguirmos negociar com os parceiros e credores”, mas um adiamento deste ajustamento representa um “aumento da dívida pública”. Catroga sugeriu por isso “rigor”, para garantir a sustentabilidade da dívida pública, o que considera não ter sido ainda conseguido.

 

“Carga fiscal não pode voltar a subir”

 

Para o responsável pela elaboração do programa do Governo do PSD, nesta altura “aumentar impostos já não dá” e a “carga fiscal não pode voltar a subir”.

 

Adiantou que a maioria as pessoas já trabalha até Junho para pagar os impostos anuais ao Estado e deu o seu exemplo pessoal. “Só em Outubro é que começo a trabalhar para mim. Durante nove meses ando a trabalhar para o Estado”, referiu o presidente do Conselho Superior da EDP.

 

Questionado sobre quais as medidas que propõe para cortar na despesa em Portugal, Catroga afirmou ser um “defensor do estado social” e salientou que o plano tem que passar pela “optimização dos efectivos, reestruturação do Estado”, que tem que ser “mais flexível, mais optimizado e financeiramente sustentável para os portugueses”.

 

Catroga utilizou uma analogia com umdoente para descrever a situação em que Portugal se encontra. Durante a crise política “voltamos aos cuidados intensivos” e estamos agora com um “desafio” pela frente: “passarmos a fase de recobro para no prazo de 10 meses estarmos em convalescença assistida”, ou seja, um regresso aos mercados com o apoio do BCE e dos parceiros europeus.

 

Apesar do PS ter recusado assinar um acordo de salvação nacional, Catroga adverte que quando for preciso elaborar um programa cautelar, “não estou a ver o PS não assinar”.

 

“É importante que o PS regresse ao barco da salvação nacional, que pilotava quando fomos ao fundo”, salientou Catroga, acrescentando que o Orçamento do Estado vai ser um “momento decisivo” para testar a unidade da coligação governamental .

 

Foram os antecessores da ministra que aprovaram os “swaps”

 

Na mesma entrevista à SIC Notícias, Catroga aproveitou ainda para defender a ministra das Finanças no caso dos “swaps”.

 

“Não vamos atirar culpa a outros” e ao “sistema”. “Vamos atirar as culpas a quem não sabe gerir”, que é o “Estado, através das suas empresas públicas”, disse Catroga.

 

“Não quer dizer que este governo não pudesse ter sido mais célere” para minimizar as perdas dos “swaps”, mas “quem cair aqui de para-quedas pensa que foi a ministra que autorizou os swaps”. Contudo, “quem autorizou [a celebração dos contratos swap] foi os seus antecessores, dos governos anteriores”, afirmou Catroga, considerando que “temos que ir à raiz do problema”.

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