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CCP acusa troika de arrogância e de não tirar lições do passado

A troika esteve reunida com os parceiros sociais e o encontro terminou sem novidades. A CCP acusou as instâncias internacionais de "arrogância" e de não conseguir tirar "lições" do que correu mal nos últimos anos. Já a CIP defendeu que, apesar da troika deixar Portugal já em Maio, os "credores ficam", sinalizando que Portugal continua a ter de implementar medidas que melhorem a economia.

Pedro Elias/Negócios
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O encontro entre os parceiros sociais e a troika já terminou. Em cima da mesa estiveram temas como a redução da carga fiscal e a moderação salarial mas os parceiros sociais saíram da reunião com poucas novidades. A CCP acusou os membros do Fundo Monetário Internacional, do Banco Central Europeu e do Comissão Europeia de arrogância e autismo, enquanto a UGT lamentou que a troika mantenha a austeridade como "a melhor das receitas". Já a o presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), António Saraiva, considerou, por seu turno, que a troika foi "objectiva e manteve a ideia inicial dos méritos no programa de ajustamento".

 

No final do encontro, João Vieira Lopes da Confederação do Comércio e dos Serviços (CCP), afirmou aos jornalistas que "esta reunião foi diferente" das anteriores". "A troika falou muito e

Saímos daqui completamente apreensivos quanto à [forma como a] economia vai reagir ao corte nos rendimentos.
 
João Vieira Lopes
Confederação do Comércio
e dos Serviços

falou mal. Foi arrogante", contou o responsável. Vieira Lopes sustentou que a "troika manifestou uma posição autista [em relação ao] programa" de ajustamento português e acusou-a de insistir no mesmo modelo, dizendo "que não há alternativas. "Saímos daqui completamente apreensivos quanto à [forma como a] economia vai reagir ao corte nos rendimentos", lamentou o presidente da CCP.

 

Visão semelhante do encontro teve a UGT. Lucinda Dâmaso, presidente da UGT, disse aos jornalistas que "as conclusões [do encontro] são o que a UGT já previa". "Esta reunião foi mais uma e mais uma em que a troika mantém" o apoio às medidas de austeridade, afirmou.

 

A responsável assinalou que, em relação a mais cortes nos salários – como defendeu a Comissão Europeia e do Fundo Monetário Internacional nos relatórios recentes publicados nos âmbito da décima avaliação – não houve uma resposta concreta. Contudo, Lucinda Dâmaso sinalizou que as instâncias internacionais defenderam uma moderação salarial não tendo, detalhado, o que entendem por moderação salarial.

 

Sobre este tema, António Saraiva da Confederação Empresarial de Portugal (CIP) manifestou concordância com os credores internacionais na necessidade de manutenção "de uma moderação salarial". "Consideramos que, de facto, deve haver uma moderação salarial e relativamente ao aumento do salário mínimo nacional, entendemos que esse deve ser negociado no âmbito de um acordo que deverá conter outros aspetos que beneficiem as empresas", disse António Saraiva.

 

"Troika vai embora mas os credores ficam"

 

António Saraiva disse aos jornalistas que a CIP alertou a troika para a necessidade de recapitalização das empresas nacionais. Neste sentido, o responsável sugeriu que seria pertinente que o montante do pacote de assistência financeira destinado à recapitalização da banca (12 mil milhões de euros) e, que não foi utilizado (cerca de seis mil milhões de euros),

Não é porque a troika sai em Maio [mês em termina o programa de ajustamento] que os problemas ficam resolvidos.
 
António Saraiva
Confederação Empresarial
de Portugal

fosse utilizado para que o Estado pagasse mais cedo aos fornecedores. O remanescente deveria servir para criar um fundo para recapitalizar as empresas, defendeu o responsável.

 

Em relação à deslocação de elementos da troika a empresas nacionais, António Saraiva assinalou que a troika, "nas várias avaliações, tem estado, sem publicidade, com empresas exportadoras" e não exportadoras. "A troika tem aqui [concertação social] o pulso do doente nas duas vertentes. Se quer detalhar as verdades que aqui lhe são referidas é natural que vá confirmar no terreno o que lhe aqui é dito", afirmou. 

 

Por outro lado, a "troika referiu, e nós concordamos que, os sinais macroeconómicos demonstram alguma melhoria", mas ainda continuam a ser "frágeis".

 

António Saraiva sinalizou ainda que "não é porque a troika sai em Maio [mês em termina o programa de ajustamento] que os problemas ficam resolvidos", antecipando que Portugal tem de trabalhar mais "cinco ou seis anos" para que a situação económica do País fique normalizada. "A troika vai-se embora mas os credores ficam", afirmou, querendo assim dizer, que o programa de ajustamento termina mas é necessário prosseguir com medidas que promovam alterações na economia.

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