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Comissão Europeia diz que está a analisar pedido de ajuda económica da Hungria (act.)

A Hungria pediu uma linha de crédito preventiva à UE e ao FMI.

Carla Pedro cpedro@negocios.pt 18 de Novembro de 2011 às 14:03
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A Comissão Europeia anunciou hoje que vai analisar o pedido da Hungria para receber uma linha de crédito preventiva da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI), avança o “Expansión”.

Bruxelas analisará se a Hungria - que aderiu à União Europeia em 2004 mas não faz parte da Zona Euro - cumpre as condições necessárias para receber essa ajuda económica.

Amadeu Altafaj, porta-voz da CE, disse que a Comissão ainda não recebeu o pedido formal de Budapeste, mas que tem conhecimento da intenção da Hungria de solicitar uma linha de crédito preventivo à UE e ao FMI, refere o jornal espanhol.

O tipo de rede de segurança que a Hungria visa por parte do FMI e da União Europeia será decidido aquando das conversações – que terão início antes do Natal e que poderão estar concluídas em Fevereiro, sublinha a Bloomberg, citando uma entrevista do ministro húngaro da Economia, Gyorgy Matolcsy, à agência noticiosa MTI.

Matolcsy sublinhou, nessa entrevista, que a Hungria não tem pressa na conclusão das conversações, uma vez que o país consegue financiar-se no mercado.

Sublinhe-se que o Ministério húngaro da Economia referiu hoje que o país quer negociar um “novo tipo” de cooperação com o FMI e a UE. “A economia húngara tem sido financiada através dos recursos do mercado. Não dependemos da boa vontade de terceiros. A era da renovação acabou e está prestes a começar a era do crescimento. Para tal, temos de recorrer a todos os instrumentos possíveis”, diz a nota do Ministério, citada pela Bloomberg.

“Para atingirmos este objectivo, o governo iniciou negociações com o FMI e com a EU para delinear um novo tipo de cooperação que possa promover o crescimento económico da Hungria, em vez de medidas de austeridade”, salienta o mesmo documento.

A Hungria poderá chegar a acordo com os grupos da UE e do FMI “nos primeiros meses do ano”, referiu ainda o Ministério da Economia. O país quer “garantias” por parte do FMI de que a sua capacidade de formular a sua própria política económica não será condicionada, afirmou por seu lado o primeiro-ministro Viktor Orban, em declarações à rádio MR1.

O governo da Hungria – o Estado-membro mais endividado de entre os países da Europa de Leste – recua assim na sua política de rejeitar ajudas adicionais. Isto porque a moeda local, o forint, caiu para um mínimo histórico face ao euro, ao mesmo tempo que os juros da dívida soberana dispararam.

As “yields” em todos os prazos superam actualmente a temível barreira dos 7% (que levou outros Estados-membros a pedirem ajuda externa), se bem que em Junho de 2009 – em plena crise mundial - tenham estado nos 14,35% na maturidade a 3 anos e acima dos 12% no prazo a 10 anos.

Os juros da dívida soberana da Hungria estão agora nos 7,91% no prazo a 3 anos, nos 8,20% na maturidade a 5 anos, e nos 8,30% e 8,31% nos prazos a 10 e 15 anos, respectivamente.

Desde que a Grécia pediu ajuda à UE e ao FMI, em Maio de 2010, os juros da dívida pública da Hungria têm estado sob pressão.

A contribuir para este pedido de ajuda preventiva por parte da Hungria estará também o facto de a Standard & Poor’s ter ameaçado na semana passada que poderá cortar o “rating” da dívida de longo prazo deste país para “lixo” ainda este mês.

Matolcsy tinha dito a 27 de Outubro que pedir ajuda ao FMI seria um “sinal de fraqueza”.

Uma linha de crédito preventiva é a mais recente linha de ajuda do FMI, introduzida em Agosto do ano passado, sendo atribuída a países com fundamentais fortes e políticas sólidas, recorda a Bloomberg. Esta linha de crédito impõe menos condições do que um empréstimo “stand-by” – que foi concedido à Hungria em 2008 para evitar um “default” durante a chamada Grande Crise que teve início nos EUA com o desmoronamento do mercado do “subprime” (créditos hipotecários de alto risco).

Segundo Altafaj, citado pela MTI, está actualmente na Hungria uma delegação internacional do FMI, mas o pedido não tem qualquer relação com esse facto. O porta-voz da CE diz que a equipa do FMI que está neste momento em Budapeste está a proceder a uma avaliação da economia húngara, nos termos do programa de ajuda de que já beneficiou.


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