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De Grauwe: "Só o BCE pode travar o contágio da crise da dívida"

Para o economista belga, e conselheiro regular da Comissão Europeia, é preciso fazer uma revolução nas instituições europeias, porque a dinâmica de contágio da crise no euro parece neste momento “imparável”. A começar pelo BCE que deverá passar a assumir, sem pejo, que, na ausência de alternativas, é sua responsabilidade garantir liquidez – não apenas aos bancos, mas também aos Estados do euro.

Eva Gaspar egaspar@negocios.pt 04 de Agosto de 2011 às 10:30
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“Travar a actual crise exige uma alteração profunda nas instituições da Zona Euro. Mas a parte mais importante dessa reforma tem de passar por garantir que o Banco Central Europeu (BCE) assume plenamente a sua responsabilidade como financiador, de último recurso, no mercado da dívida soberana da Zona Euro”. Se não for dado este passo, “os mercados não vão estabilizar e a crise manter-se-á endémica”.

Num artigo de opinião hoje publicado no “Financial Times”, Paul de Grauwe defende, assim, que o BCE tem de ser mais como a Reserva Federal norte-americana: se os investidores não emprestam aos Estados ou pedem juros proibitivos, então imprimam-se euros.

E é o BCE, e não o Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) – veículo de que também é accionista os Estados do euro, e que tem estado a co-financiar com o FMI os programas de assistência a Portugal, Irlanda e Grécia – que tem de acudir aos países que não conseguem financiamento nos mercados. Porquê? Porque “o FEEF nunca terá a necessária credibilidade para travar o contágio da crise porque não pode imprimir moeda”.

De Grauwe admite que é elevado o risco moral envolvido nesta profunda mudança, que exigira uma revisão de alto a baixo dos Tratados. Os Governos serão tentados a não por travões ao seu endividamento, na medida em que sabem que, no fim da linha, o BCE lá estará para “pagar” a conta.

Mas, frisa De Grauwe, esse risco já é hoje assumido pelo BCE em relação aos bancos. “Para lidar com esse risco são precisas regras para balizar a emissão de dívida pelos Estados”. Por outras palavras: são precisos passos igualmente decisivos no sentido de uma união política, dando poderes acrescidos ao Conselho Europeu para controlar os níveis de endividamento e as políticas macro-económicas dos Estados do euro.


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