Ajuda Externa FMI poupa nas críticas e concentra-se nas reformas estruturais

FMI poupa nas críticas e concentra-se nas reformas estruturais

Depois de uma décima avaliação muito crítica em relação aos resultados estruturais do programa de ajustamento, o Fundo Monetário Internacional (FMI) modera agora o discurso e aponta para as reformas estruturais como o grande desafio do médio prazo.
FMI poupa nas críticas e concentra-se nas reformas estruturais
Miguel Baltazar/Negócios
Nuno Aguiar 21 de abril de 2014 às 16:09

A dois meses do final do programa de ajustamento, o FMI parece estar a concentrar-se mais nos desenvolvimentos positivos garantidos pelo Governo português e não tanto nas limitações das reformas. Na anterior avaliação, os riscos tinham-se agravado face aos meses anteriores e os técnicos do Fundo deixaram avisos sobre a risco de inversão do ajustamento externo, nomeadamente dois movimentos possivelmente insustentáveis: da contracção das importações e do crescimento das exportações de combustíveis.

 

O FMI mostrava-se preocupado com a possibilidade de “as reformas realizadas até agora possam não ser suficientes para gerar uma forte resposta da procura e dar origem a um modelo sustentável baseado nas exportações”. Esta avaliação levou mesmo Paulo Portas a dizer no Parlamento que acredita mais “na realidade económica” do que em instituições que diziam que Portugal “não conseguia exportar mais”.

 

No relatório publicado esta segunda-feira, 21 de Abril, os técnicos continuam a identificar riscos, mas consideram que “se tornaram mais equilibrados”, embora ainda negativos. É referida a perspectiva de “moderação” do ajustamento do saldo externo devido à recuperação da procura interna, mas são sublinhados os ganhos de quota de mercado e o reforço da procura por parte de parceiros europeus, com destaque para Espanha.

 

A décima primeira avaliação confirma a revisão em altas das perspectivas de crescimento para este ano já anunciada pelo Governo, com a troika a esperar agora que o PIB avance 1,2% (0,8% na avaliação anterior). As estimativas de taxa de desemprego são também mais optimista, passando de 16,8% para 15,7%. “A actividade continua a ganhar ritmo, empurrada tanto pelas exportações como a procura interna”, escreve o Fundo. “Receitas mais altas do que se esperava levaram a uma execução orçamental melhor do que se esperava em 2013.”

 

Todas as fichas nas reformas estruturais

 

A necessidade de prosseguir a correcção do défice orçamental parece ser um dado adquirido e o Fundo mostra-se certo que o Governo encontrará alternativas para eventuais chumbos de medidas pelo Tribunal Constitucional. É nas reformas estruturais que o FMI mais se concentra no que diz respeito a riscos e necessidade de mais medidas. As áreas são as do costume: rendas excessivas na energia e “rigidez” do mercado do laboral.

 

“Rendas excessivas no sector não transaccionável e continuação de ineficiências no mercado de trabalho, se não tiverem resposta, poderão adiar ainda mais o reequilíbrio da economia para o sector transaccionável, forçando o esforço do ajustamento a cair excessivamente no trabalho”, escreve o FMI. “Aumentar o potencial de crescimento de Portugal depende de um aprofundamento da estratégia de reformas estruturais no médio prazo.” O Fundo pede ao Governo que cumpra os compromissos para “especificar e implementar” novas reformas no mercado laboral e no sector energético “nas próximas semanas”.




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