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FMI acusa Bruxelas de se preocupar mais com normas da UE do que com crescimento

O Fundo Monetário Internacional (FMI) faz um balanço negativo do funcionamento da troika que compôs com BCE e a Comissão Europeia nos resgates europeus

Dylan Martinez
Rui Peres Jorge rpjorge@negocios.pt 06 de Junho de 2013 às 11:43
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O FMI faz um balanço negativo da organização do trabalho entre as instituições da troika no resgate à Grécia. Num relatório de balanço sobre o primeiro resgate helénico, Washington salienta a inexistência de uma divisão clara de trabalho, da qual resultou sobreposição de responsabilidades, mesmo nas áreas em que o FMI se considerava melhor preparado. O Fundo acusa a Comissão de se preocupar mais com as regras e normas do que com o crescimento económico.

 

“Da perspectiva do Fundo, a Comissão Europeia, com o enfoque das suas reformas mais no cumprimento das normais comunitárias do que no impacto no crescimento, não foi capaz de contribuir muito para a identificação de reformas estruturais promotoras do crescimento”. Esta é talvez a crítica mais dura que o FMI faz à Comissão Europeia, mas está longe de ser a única.

 

Os técnicos do Fundo salientam a inexistência de uma divisão clara de trabalho, o que contrasta com a prática a que o FMI está habituado. Nas intervenções fora da Europa a colaboração o Banco Mundial garante “os programas nacionais assentam numa divisão de trabalho acordada”, uma clareza que não existiu na troika, lê-se no relatório "Greece: Ex post Evaluation of Excepcional Access under the 2010 Stand-by Arrangement", onde técnicos do FMI fazem um balanço ao primeiro resgate.

 

“A Comissão Europeia precisava de estar envolvida em todos os aspectos do programa para garantir a conformidade com as regras e regulamentos europeus”, lê-se no relatório onde se seguem exemplos de sobreposições: “Enquanto o Fundo tinha experiência em desenhar ajustamentos orçamentais, a Comissão Europeia (CE) tinha os seus próprios objectivos orçamentais de Maastricht. A CE tinha ‘expertise’ em reformas estruturais, mas o Fundo também, particularmente na área orçamental (...) No sector financeiro, o BCE tinha uma reivindicação óbvia para assumir a liderança, mas não era perito em supervisão bancária, onde o Fundo tinha conhecimento especializado”.

 

O FMI reconhece que a Comissão Europeia e o BCE levaram para a análise sobre o resgate grego a importância de uma visão integrada europeia, nomeadamente em termos de riscos de contágio, o que “pelo menos inicialmente, não era a perspectiva o Fundo, que está mais habituado a analisar os temas com o enfoque um País específico”. Contudo, essa visão institucional europeia trouxe também problemas: “A CE tendeu a tirar conclusões de política por consenso, tinha um sucesso limitado na implementação da condicionalidade do Pacto de Estabilidade e Crescimento, e não tinha experiência em gestão de crise”, avaliam os técnicos de Washington, que consideram que a experiência do Fundo permitia-lhe avançar mais rapidamente na formulação de recomendações de política, “uma qualificação que faltava às instituições europeias”.

 

O desconforto entre as três instituições é assumido no relatório: “Nenhum dos parceiros pareceu ver o entendimento como ideal”, conclui o FMI que vinca ainda a existência de “marcadas diferenças ocasionais de posições dentro da troika”, particularmente no que diz respeito a projecções de crescimento. Ainda assim, considera que o esforço de articulação, dificultado por diferentes práticas em termos documentação, procedimentos e regras de confidencialidade, acabou por funcionar: “A coordenação parece ter sido bastante boa dadas as circunstâncias”.

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