Ajuda Externa FMI: Aumento de salário mínimo? Olhem para o desemprego

FMI: Aumento de salário mínimo? Olhem para o desemprego

Chefe de missão do FMI diz que irá debater com as autoridades o plano de aumento de salário mínimo na avaliação que começa terça-feira, mas não esconde o cepticismo.
FMI: Aumento de salário mínimo? Olhem para o desemprego
Rui Peres Jorge 21 de abril de 2014 às 16:44

Para Subir Lall, o responsável no FMI pelo acompanhamento do programa de ajustamento, o recente debate em torno do aumento do salário mínimo nacional é “compreensível do ponto de vista social”, mas tem o grande problema de ignorar um dos maiores problemas da economia portuguesa, o elevado nível de desemprego, e em particular do desemprego de longa duração.

 

“É compreensível do ponto de vista social que exista um debate sobre o salário mínimo, uma vez que está congelado há uns anos, mas este debate tem de ser reequilibrado considerando que existem muitos trabalhadores, especialmente os de mais baixas qualificações, que estão a ter dificuldades em encontrar trabalho”, afirmou Subir Lall, numa conferência telefónica em que apresentou o relatório da 11ª avaliação, esta segunda-feira, 21 de Abril.

 

O representante do FMI reafirmou o conhecido cepticismo de Washington relativamente ao aumento do salário mínimo, uma possibilidade que esteve afastada durante o programa de ajustamento, exactamente porque os credores – avaliação é partilhada com a Comissão – consideram que a subida deste custo laboral gera desemprego. O salário mínimo nacional está congelado em 485 euros desde 2011.

 

O economista garante que o tema estará na mesa da 12ª avaliação que começa terça-feira, dia 22 de Abril, e reforça que, no seu entender, não se pode falar de salários, sem falar de empregos: “a questão dos salários precisa de ser debatida olhando também para as perspectivas para os desempregados e para desempregados de longo prazo”, afirmou. “Não se pode verdadeiramente falar de salários sem falar de criar empregos e por isso entramos na discussão na próxima avaliação, mas [colocamo-la] num contexto mais amplo de olhar não apenas para um factor, mas também para as politicas que criem empregos e nas quais estamos muitos interessados”.




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