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FMI: “É irrealista pensar que os problemas de Portugal podem ser resolvidos em três anos”

Os desequilíbrios acumulados levarão mais dez ou quinze anos a serem resolvidos. Os próximos anos continuarão a ser de reformas difíceis que “terão de ser feitas independentemente do partido que esteja no poder”. Ao FT, Subir Lall volta a avisar que eventuais chumbos do Constitucional terão de ser substituídos por medidas que provavelmente terão efeitos mais nefastos sobre a economia.

Eva Gaspar egaspar@negocios.pt 19 de Dezembro de 2013 às 15:27
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Subir Lall, chefe da missão do FMI, assume em entrevista ao "Financial Times" ser “irrealista” pensar que os problemas de Portugal, que decorrem de desequilíbrios e distorções acumulados ao longo de décadas, "podem ser resolvidos em três anos” de ajustamento decorrente da assistência externa, advertindo que o esforço reformista da economia e de saneamento das contas do Estado vai ter de ser prosseguido nos próximos dez a quinze anos “independentemente do partido que esteja no poder”.

 

"É irrealista pensar que [as distorções] podem ser removidas em três anos de programa de ajustamento ou que o processo de reforma possa ser imposto do exterior", afirma, ao qualificar, ainda assim, de “verdadeiramente extraordinário" o ajustamento feito até agora.

 

“As transformações de que a economia precisa terão de ser prosseguidas por mais dez ou quinze anos e têm de ser internamente assumidas como necessárias”, afirma, acrescentando que "mudar a forma como a economia responde e ultrapassar a inércia exige um esforço contínuo e terá de ser realizado independentemente do partido político que esteja no poder”.

 

Do lado orçamental, refere que dois terços do ajustamento foi realizado e que o restante será feito em 2014 e 2015, mas já com um "ritmo de consolidação muito mais suave do que sucedeu em 2011 e 2012". Mas o crescimento de longo prazo da economia depende de mudar o motor do crescimento "do sector não transaccionável para o sector dos bens transaccionáveis", ou seja, exportar mais, incluindo o turismo e agricultura, acrescenta.

Entre os principais desafios permanece a redução do endividamento excessivo das empresas, os altos custos da energia e da utilização dos portos, um serviço público ineficiente e um sistema de justiça lento. Subir Lall insiste ainda na necessidade de tornar o mercado de trabalho mais flexível.

 

No dia em que se espera que o Tribunal Constitucional se prenuncie sobre a reforma das pensões, na sequência do pedido de fiscalização preventiva endereçado pelo Presidente da República, o representante do FMI na missão da troika que acompanha Portugal repete a mensagem de sempre: em caso de chumbo, "está confiante" que Governo encontrará alternativas para tapar o buraco de quase 400 milhões de euros que ficará aberto no Orçamento do próximo ano, mas "há sempre o risco de que [as alternativas] sejam menos favoráveis em termos de promoção do crescimento económico e do emprego".

Sobre a possibilidade de Portugal pedir um programa cautelar no final do programa da troika, o responsável do FMI diz ser prematuro falar sobre o assunto. No início do próximo ano, no rescaldo das emissões de longo prazo que o Tesouro tenciona fazer, será então "uma boa altura para ver o que dizem os investidores". Ainda assim, Lall considera que seria bom que houvesse o quanto antes um "consenso político alargado" que, em sua opinião, deveria anteceder as eleições legislativas de 2015. Os investidores vão "querer saber se existe um amplo consenso sobre os principais objectivos das reformas", adverte, referindo-se aos agentes que poderão, ou não, permitir um regresso sustentável  do país aos mercados (pré-condição para aceder, inclusivé, a um programa cautelar).

 

(notícia em actualização)

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