Ajuda Externa FT: Portugal tem que “começar a viver dentro das suas possibilidades e em tempo real”

FT: Portugal tem que “começar a viver dentro das suas possibilidades e em tempo real”

Jornal britânico diz que se o Governo for “esperto”, vai utilizar o chumbo do Tribunal Constitucional ao Orçamento do Estado para ser “ainda mais sério” acerca das reformas estruturais. Sobre Passos Coelho, o Financial Times diz que na Zona Euro é dos poucos “cheerleaders” da austeridade.
FT: Portugal tem que “começar a viver dentro das suas possibilidades e em tempo real”
Negócios 08 de abril de 2013 às 17:11

O Financial Times analisa esta segunda-feira a decisão do Tribunal Constitucional sobre o Orçamento do Estado português, concluindo que esta “provavelmente impede o regresso de Portugal aos mercados”, mas também pode representar uma oportunidade para o Governo.

 

“Se o Governo for esperto, vai utilizar este revés para ficar ainda mais sério acerca das reformas estruturais”, refere o jornal britânico no seu espaço de opinião LEX.

 

O artigo assinala em título que Portugal tem um “novo desafio” e que o País tem “que começar a viver dentro das suas possibilidades e em tempo real”. Esta frase, em sub-título, é justificada no final do artigo: “Portugal desperdiçou a primeira década na Zona Euro, crescendo ao ritmo mais lento do que qualquer outro estado membro. Há o perigo real de este padrão se repetir, salvo se o país começar a viver dentro das suas possibilidades e em tempo real”.

 

Para baixar o valor da despesa e cumprir as metas de redução do défice, o Orçamento do Estado deste ano previa o corte do subsídio de férias dos funcionários públicos e pensionistas, o que foi agora chumbado pelos juízes do Tribunal Constitucional.

 

No início do artigo o FT cita o que considera ser um exemplo de que actualmente Portugal está a viver acima das suas possibilidades. “Partes do Sul da Europa vivem realmente noutra dimensão. Por exemplo, o ano em Portugal tem dois meses extra. A maioria dos trabalhadores recebe 14 salários em vez de 12”, refere o FT, sem salientar que os salários em Portugal são dos mais baixos da Zona Euro e bem inferiores à média dos 17 países do euro.

 

Considerando que “Portugal pode ser a vítima esquecida da crise da Zona Euro”, o FT realça que

O ano em Portugal tem dois meses extra. A maioria dos trabalhadores recebe 14 salários em vez de 12
 
Financial Times

as reformas implementadas desde 2011 “estavam a começar a convencer os investidores”, com uma subida da bolsa e uma queda acentuada nos juros da dívida. “Mas agora a recente onda de nervosismo acerca da capacidade de Portugal cumprir os seus compromissos está a ter os seus efeitos”, refere o FT, citando o facto de o PSI-20 já ter anulado os ganhos de 2013.

 

O jornal britânico salienta que para Passos Coelho, “um dos poucos ‘cheerleaders’ da austeridade na Zona Euro”, a decisão do Tribunal Constitucional representa um “golpe”. Classifica de “difícil” a tarefa de Passos Coelho de encontrar medidas alternativas para cortar o equivalente a 0,8% do PIB e admite que a Europa pode dar uma ajuda ao aliviar os termos do memorando.

 

“Mas os portugueses não podem fechar os olhos aos problemas estruturais do país, sendo que o principal será o pesado sector público”, adverte. 




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