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Parlamento Europeu aprova relatórios que condenam a intervenção da troika

Eurodeputados aprovaram com 448 votos o principal relatório de inquérito à actuação da troika, que conclui que os resgates aumentaram os níveis de pobreza e que a troika não presta contas a ninguém.

Reuters
Bruno Simões brunosimoes@negocios.pt 13 de Março de 2014 às 12:45
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Depois de uma maratona de debate na quarta-feira, os eurodeputados aprovaram os dois relatórios do Parlamento Europeu de inquérito à actuação das quatro troikas (Portugal, Grécia, Irlanda e Chipre). O relatório principal, da comissão de Economia, tinha como relatores um deputado dos Socialistas e Democratas, Liem Hoang Ngoc, e um do Partido Popular Europeu, Othmar Karas, o que dava garantias de que o documento iria ser aprovado. E foi mesmo: teve 448 votos a favor, 140 contra e 27 abstenções dos 615 eurodeputados presentes.

 

Um outro relatório, elaborado em exclusivo pelo eurodeputado socialista Alejandro Cercas, e centrado em exclusivo nos aspectos sociais do ajustamento, também foi aprovado, recebendo 408 votos a favor, 135 contra e 63 abstenções.

 

Em declarações após a votação, citadas pelos Socialistas e Democratas, o presidente do partido, Hannes Swoboda, sublinhou que “o Parlamento Europeu está a enviar uma mensagem clara de que não vai aceitar mais esta Europa das troikas. As troikas mostraram que a Europa falha quando ignora as instituições europeias e o método comunitário”.

 

Também o relator socialista, Liem Hoang Ngoc, destacou os aspectos negativos desta estrutura que resgatou Portugal. “Os erros, desacordos, bem como uma falta de legitimidade e responsabilização caracterizaram o trabalho das troikas. A estrutura, políticas e métodos de trabalho estavam todos errados nas troikas”, lamentou. “Quando havia desacordos entre os membros da troika, eles eram resolvidos à porta fechada no Eurogrupo. Mas o Eurogrupo é um fórum informal de ministros das Finanças da Zona Euro, que não presta contas a ninguém”, denunciou.

 

O relatório conclui que os resgates aumentaram os níveis de pobreza dos países, desprezaram a componente social e que a troika foi demasiado optimista nas previsões que fez. Em resultado, a intervenção provocou “níveis inaceitáveis de desemprego”. Por outro lado, reconhece-se que a troika foi constituída à pressa, por causa da pressão da crise da dívida, e que sem os resgates os países estariam pior.

 

Vários eurodeputados portugueses intervieram no debate desta quarta-feira. Pelo PS, falaram Ana Gomes, Edite Estrela e Elisa Ferreira. O PSD foi representado por Regina Bastos, o CDS pelo eurodeputado Diogo Feio, o Bloco de Esquerda por Marisa Matias e o PCP por Inês Zuber. Rui Tavares também interveio.

 

* Jornalista em Estrasburgo a convite do Parlamento Europeu

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