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Portugal sem "orçamento ou credibilidade" para "jogar o jogo" de estímulos à economia

O ministro das Finanças defendeu ontem em Washington que Portugal não tem "folga orçamental ou credibilidade" para "jogar o jogo" do estímulo público à economia, que no passado falhou, mas mostrou-se favorável a medidas de apoio a nível europeu.

Lusa 20 de Março de 2012 às 01:23
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O ministro das Finanças defendeu ontem em Washington que Portugal não tem "folga orçamental ou credibilidade" para "jogar o jogo" do estímulo público à economia, que no passado falhou, mas mostrou-se favorável a medidas de apoio a nível europeu.

"Se tentarmos apoiar a actividade económica por via da procura temos o problema de que não temos simplesmente folga orçamental ou credibilidade [nos mercados financeiros] que nos permitira jogar esse jogo. No caso de Portugal seria contraproducente e autopenalizador", disse Vítor Gaspar em Washington.

O ministro falava no Instituto Peterson de Economia Internacional, numa palestra intitulada "Portugal, Ganhando Credibilidade e Competitividade", perante uma plateia de cerca de meia centena de investigadores, académicos e representantes de instituições financeiras internacionais.

Depois de uma apresentação em "PowerPoint" de cerca de 30 minutos sobre o programa de ajuda externa a Portugal, recheada de gráficos sobre a evolução financeira recente do país, Vítor Gaspar foi questionado pelo economista do Banco Asiático de Desenvolvimento Alessandro Pio sobre se apoia medidas de estímulo da procura pela União Europeia, nomeadamente obrigações para financiar investimento em países em situação económica e financeira difícil.

O ministro afirmou que um dos aspectos marcantes na evolução recente da economia portuguesa é um "excesso de procura", sendo notável que não tenha criado um crescimento significativo, mas apenas uma evolução do Produto Interno Bruto (PIB) "muito medíocre".

"Significa que claramente o crescimento da procura não é uma condição suficiente para o crescimento do PIB, certamente não para um crescimento sustentável", no caso português, defendeu.

Vítor Gaspar disse que o Governo anterior, já depois do eclodir da crise, optou pela expansão da procura para aliviar o impacto na economia, o que funcionou a "muito curto prazo", mas acabou por ser penalizador porque "esse foi precisamente o gatilho" que levou ao pedido de ajuda internacional, quando o nível de endividamento se tornou insustentável.

A nível dos 27, adiantou, o último Conselho Europeu foi "muito positivo" porque pela primeira vez em muito tempo, o foco foi "não a crise mas o crescimento", estando em curso iniciativas para aumentar as perspectivas de crescimento de médio e longo prazo, algumas das quais "podem ser interessantes do ponto vista de avançar com processo de integração europeia".

Gaspar disse ainda "acreditar muito na linha" do comentário de Alessandro Pio sobre a necessidade de obrigações de crescimento europeias apoiadas pela União e receitas comuns que podiam ser aplicadas em medidas de apoio à economia.

O ministro defendeu ainda os progressos de fortalecimento do euro, afirmando que a "arquitectura estará completa" na próxima Cimeira de Copenhaga, no final do mês.

Em relação à Grécia, a reestruturação da dívida foi "um sucesso", no que diz respeito à participação voluntária dos credores e a situação em Portugal e na Irlanda é vista entre os parceiros como em evolução favorável, defendeu.

Em Washington, Gaspar reuniu-se também com o presidente da Reserva Federal, Ben Bernanke, e irá ter reuniões de trabalho com a direcção e "staff" do Fundo Monetário Internacional.

Para hoje, está previsto um encontro com o secretário do Tesouro norte-americano, Timothy Geithner.

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