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S&P: "Rollover" da dívida grega implica corte do rating para "incumprimento selectivo"

Depois da Fitch é agora a vez da Standard & Poor’s deixar o alerta: se os bancos franceses e alemães avançarem com o prolongamento do prazo das obrigações gregas, a agência colocará o "rating" da dívida de Atenas em "incumprimento selectivo".

Ana Luísa Marques anamarques@negocios.pt 04 de Julho de 2011 às 08:10
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A proposta dos bancos franceses para prolongar as maturidades de algumas obrigações gregas poderá ser "qualificada como uma reestruturação da dívida já que oferece aos credores menos valor do que o prometido pela obrigações iniciais", justifica a agência de "rating" num comunicado citado pela Bloomberg.

O plano francês – apresentado na semana passada pela Federação Francesa de Bancos ao Ministério da Economia - passa por fazer um "rollover" das obrigações gregas que chegam à maturidade nos próximos anos. Ou seja, os detentores dos títulos comprarem voluntariamente novos títulos à medida que os que têm na mão chegam ao final do prazo.

A versão preliminar do plano, que prevê que os detentores de obrigações gregas reinvistam 70% do dinheiro em novas obrigações, com uma maturidade de 30 anos, parte em títulos gregos, parte em novos títulos com "rating" AAA. A República Helénica reembolsa 30% do capital. As novas obrigações pagarão um juro a rondar os 5,5%.

Para a agência de notação de risco "as opções de financiamento apresentadas pela Federação Francesa de Bancos representam um incumprimento". No entanto, sublinha a Standard & Poor’s, assim que essas opções sejam implementadas, voltaremos a rever a nossa avaliação para a dívida grega.

Na semana passada, a agência de "rating" Fitch ameaçou, igualmente, baixar a avaliação da dívida grega para "incumprimento" caso os bancos avancem com o "rollover" da dívida.

A Fitch sublinhou numa carta enviada ao "Financial Times", que qualquer reestruturação da dívida grega, por mais suave que seja, dificilmente não desencadeará uma espiral de descidas de "rating".

Para a agência de "rating", o envolvimento do sector privado na resolução da crise da dívida grega, mesmo que voluntário, será visto como incumprimento. "A Fitch é orientada pelo espírito e pela letra dos seus critérios, pelo que, se parecer um 'default', será classificado como um 'default'", escreveu David Riley.

No entanto, a proposta da Federação Francesa de Bancos refere que o "rollover" da dívida só avançará caso as agências de "rating" se comprometam a não baixar a avaliação da dívida grega.

A proposta dos bancos franceses inclui, assim, a exigência de um compromisso "informal por parte das agências de 'rating' de que o envolvimento dos bancos franceses não vai desencadear uma redução do 'rating' da dívida grega, nova e existente, para incumprimento".

O actual "rating" da Grécia atribuído pela Fitch está em "B+", quatro níveis abaixo do primeiro grau de "lixo". Para passar a ter um nível considerado de incumprimento, a notação da Grécia terá de descer mais quatro níveis, para "DDD", de acordo com a escala de classificação da Fitch.
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