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Syriza: Saída da Grécia do euro iria provavelmente destruir a Zona Euro

O líder do Syriza disse que uma saída da Grécia do euro iria, possivelmente, destruir a Zona Euro. Tsipras não pretende uma renegociação do memorando da troika "porque não se pode negociar o nosso inferno". Antes, em entrevista à Reuters, admitiu que se estas políticas se mantiverem, vai ser necessário um terceiro resgate em seis meses.

Ana Laranjeiro alaranjeiro@negocios.pt 21 de Maio de 2012 às 17:12
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Para Alexis Tsipras (na foto), líder do Syriza, não há grandes dúvidas: a saída da Grécia do euro iria provavelmente destruir a Zona Euro.

Aos jornalistas, em Paris citado pela Bloomberg, Tsipras apontou ainda que a chanceler alemã “tem de entender que não pode actuar como se existissem protectorados ao serviço dos credores”.

Ainda na capital francesa, o líder do Syriza - uma Coligação de Esquerda Radical – sustentou que os eleitores helénicos a 17 de Junho vão escolher mais do que uma moeda. “A questão nestas eleições não é o euro versus o dracma, mas continuar com o memorando pela estrada do desastre ou rasgá-lo e ter esperança no futuro”, afirmou perante os jornalistas.

Renegociar o memorando já acordado para o Syriza não é, no entanto, de todo uma hipótese. “Não há nada para negociar no memorando porque não se pode negociar o nosso inferno. Foi repudiado pelos votos dos gregos. O que nós vamos discutir é uma nova forma de criar a Europa”, frisou Tsipras.

O Syriza, na maioria das sondagens realizadas até ao momento, tem estado à frente dos restantes partidos que concorrem às eleições legislativas de Junho. Em entrevista à Reuters, citada esta segunda-feira pelo jornal helénico “Athens News”, o líder da Coligação afirmou que a principal razão para estar a fazer este périplo pela capital francesa e pela capital alemã prende-se com o facto de querer transmitir “aos governos desses importantes países da União Europeia – França e Alemanha – aquilo que [o seu partido] defende; o que tem sido transmitido na Europa sobre nós não é aquilo que representamos nem aquilo que queremos”.

Ainda assim, não estão previstos encontros com os chefes de Estado ou de Governo destes dois países. Em Paris, Alexis Tsipras encontra-se com Pierre Laurent, presidente da Esquerda europeia, e com Jean-Luc Mélenchon, chefe da esquerda radical francesa. Amanhã, em Berlim está agendado um encontro com Klaus Ernst e Gregor Gyzi, co-presidentes de Die Linke, partido da esquerda alemã.

Na entrevista à Reuters, o líder do Syriza sustentou ainda que o seu partido “não é de todo uma força anti-europeia”. “Nós estamos a lutar para salvar a coesão social na Europa. Nós somos, talvez, a maior força pró-europeia na Europa, porque os poderes dominantes vão conduzir a União para a instabilidade e a Zona Euro para o colapso se continuarem a insistir na austeridade”, afirmou.

“Sim, nós queremos o apoio e o financiamento da Europa, mas não queremos que o dinheiro dos contribuintes europeus seja desperdiçado. Dois resgates seguidos foram parar à lixeira, num barril sem fundo. Se isto continua nós vamos precisar de um terceiro pacote em seis meses. Os europeus e os seus líderes têm de tomar consciência disto”, acrescentou ainda Alexis Tsipras à Reuters.
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