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Teodora Cardoso: "A troika é muito pior do que os mercados"

A economista Teodora Cardoso considerou hoje que os mercados deram demasiado crédito a Portugal e criticou o excessivo optimismo da troika no plano de resgate para o país, considerando que em muitos aspectos a troika é pior que os mercados.

Lusa 20 de Março de 2013 às 20:06

"Antes, os mercados faziam todos os possíveis para nos financiarem. Agora, quem nos financia é a troika [Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional]. A troika é muito pior do que os mercados, em vários sentidos", afirmou a responsável, que preside ao Conselho de Finanças Públicas.

 

Teodora Cardoso lançou esta opinião no decorrer da sua intervenção no Fórum das Políticas Públicas, promovido pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), em Lisboa.

 

Já à margem do evento, questionada pelos jornalistas sobre esta afirmação, Teodora Cardoso afirmou que "há irracionalidade dos dois lados. Os mercados acharam que a dívida ia ser paga e deixaram-na chegar a níveis injustificáveis. A troika teve uma visão de muito curto prazo e, por isso, não fez a pressão necessária para avançarem outras reformas em Portugal".

 

Segundo a economista, até ao início da crise da dívida na Europa, "os mercados faziam todos os possíveis" para financiar Portugal, até porque "os mercados financiavam-se facilmente através do sistema que esteve na origem da crise de 2007".

 

Mas, a partir dessa data, "tudo isso foi ao ar", sublinhou, frisando que "os países reagiram à crise de forma diferente, porque também tinham condições diferentes".

 

Teodora Cardoso salientou que "dentro da União Europeia, houve países muito afectados pela crise e outros que não. Nem é preciso falar da Alemanha. No norte da Europa, devido à crise dos anos 90, os países tinham limitado o endividamento e resistiram melhor ao impacto da crise".

 

Ainda assim, na sua opinião, "não se pode dizer que tudo isto é uma desgraça vinda do exterior".

 

E a saída da crise está nas mãos dos portugueses, defendeu: "As medidas de carácter institucional não podem ser definidas pela troika. Nem sequer tem o conhecimento suficiente para isso sobre o país e sobre a sociedade portuguesa. Estas políticas têm que ser assumidas pelo próprio país".

 

Para tal, defendeu que "é preciso um pacto de regime para os temas profundos", já que as mesmas só são legitimadas "por uma maioria qualificada".

 

E acrescentou: "Não é possível que o principal partido da oposição, seja o PS, como agora, ou o PSD, diga que são necessárias reformas quando está no poder e as critique quando está na oposição".

 

Teodora Cardoso disse ainda que "as crises de balanço, como a actual, nunca se resolvem rapidamente", prolongando as dificuldades vividas pelos portugueses.

 

"Se não mudarmos de caminho, não conseguimos convencer os investidores a financiarem-nos. Onde é que vamos poder buscar financiamento? Agora, termos acesso a financiamento apenas para regressarmos ao sistema anterior e continuarmos a acumular dívida está fora de questão", salientou.

 

"As soluções têm que partir de uma reformulação do quadro institucional da política económica e tem que ser feita por nós e não pela 'troika'. A 'troika' não sabe, nem tem que saber. Uma reformulação desta natureza tem que ser consensual dentro do país para funcionar", considerou.

 

A responsável reforçou que Portugal está actualmente numa encruzilhada: "Podemos optar entre ter uma crise muito prolongada, sem alterar nada de fundo, ou reconhecer a realidade e procurar corrigi-la. Nessa altura poderemos recuperar o acesso ao investimento".

 

E concluiu: "O investimento é a chave da saída da crise. Mas esse investimento não pode ter por base o aumento da dívida. Os investidores têm que acreditar que vale a pena investir em Portugal. Há aqui a possibilidade de encurtar a crise. Ao reconhecer as suas razões e ao alterá-las, ganharemos a credibilidade dos investidores".

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