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Vítor Gaspar: “Cada Estado-membro da área do euro tem de ser responsável pelas políticas que segue”

Para o ex-ministro das Finanças, Portugal enfrenta uma questão existencial, a de saber se “temos vontade política, a capacidade social e cultural para nos afirmarmos como membro pleno na área do euro e da União Europeia”.

Rui Peres Jorge rpjorge@negocios.pt 17 de Fevereiro de 2014 às 11:32
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Vítor Gaspar diz que a crise dos últimos anos se deve à falta de reformas estruturiais e o endividamento acumulado na primeira década do euro, mas também às políticas keynesianas de 2009 e 2010 adoptadas por Teixeira dos Santos e José Sócrates. Agora é tempo de responder: Será que “temos a vontade política, a capacidade social e cultural para nos afirmarmos como Estado autónomo e desenvolvido numa economia global muito concorrencial, e como membro pleno do euro e da União Europeia”. Esta é a questão existencial que o país enfrenta, defende.

 

Na entrevista que concede hoje ao Público, um dia antes do lançamento do livro com a entrevista longa que concedeu a Maria João Avillez, Vítor Gaspar faz um diagnóstico dos elementos que na sua opinião levaram o pais a pedir um resgate internacional, realçando que “cada Estado-membro da área do euro tem de ser responsável pelas políticas que segue”.

 

“Tivemos dez anos para nos ajustarmos. Passámos basicamente esses dez anos em situação de défice excessivo e excesso de despesa financiada a crédito. Se virmos os resultados da alteração estrutural do regime de finanças públicas, verificamos que não fizemos a mudança que era necessária”, diz Gaspar, para acrescentar que “também não fizemos a mudança necessária em políticas estruturais que permitissem melhorar a competitividade da economia portuguesa e garantissem a flexibilidade no mercado de produto e no mercado de trabalho”. “Não conseguimos adaptar-nos às exigências da área do euro”, remata.

 

O ex-ministro considera ainda que, mesmo assim, teria sido possível fazer melhor já com a crise à porta. Por exemplo, não terndoadoptado políticas keynesianas: “no momento em que se verifica a crise global, não só não reconhecemos que estamos num momento de crise e numa posição vulnerável, mas achamos, pelo contrário, que estávamos em condições de seguir uma politica keynesiana clássica de combate da recessão, com expansão do sector público. Isso conduziu a que no início de 2010, os mercados financeiros internacionais tenham deixado de nos financiar”.

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