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Paul De Grauwe: Saída limpa foi "boa decisão" para "mandar embora" credores internacionais

O economista belga Paul De Grauwe afirmou esta segunda-feira que Portugal tomou "uma boa decisão" ao dispensar uma linha de crédito cautelar após o resgate financeiro, para "mandar embora" os credores internacionais.

Lusa 26 de Maio de 2014 às 20:03
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"Acho que foi uma boa decisão. Vocês tinham de mandar estas pessoas embora, não podiam continuar a ter estas pessoas cá", afirmou o professor da London School of Economics, em entrevista à agência Lusa, hoje em Sintra.

 

Paul De Grauwe está em Portugal para participar no 'ECB Forum on Central Banking', que decorre deste domingo e até terça-feira num hotel em Sintra, junto a Lisboa.

 

"Se quisessem este tipo de coisa [um programa cautelar], eles [os oficiais internacionais] voltariam cá e iam dizer-vos o que fazer. É bom para vocês que tenham dito para saírem", vincou.

 

Para o economista, o facto de Portugal ter terminado o programa de resgate externo é "obviamente uma boa notícia", porque "pelo menos agora" o país ganhou "alguma forma de soberania". No entanto, alertou que o legado da crise e a forma como [o programa] foi feito fez com que Portugal ficasse "estrangulado com uma grande dívida, que vai continuar a perseguir [o país] e que vai obrigar este Governo e os próximos a prosseguirem com a austeridade".

 

Para De Grauwe, "a questão é saber se [Portugal] quer isso", considerando ter dúvidas sobre se "haverá paciência suficiente".

 

Interrogado sobre se o país tinha opção, o professor afirmou que a alternativa passaria por uma visão diferente tanto em Bruxelas como em Frankfurt. O economista entende que era preciso ter havido a noção de que, para que Portugal reduzisse a despesa, "outros deviam ter feito o oposto" para que o esforço do país "não fosse tão custoso". "Mas foi muito difícil para Portugal - tanto em termos de desemprego como de acumulação de dívida - porque os outros, no Norte da Europa, não quiseram ajudar-vos", argumentou.

 

Paul De Grauwe defendeu ainda que, "a dada altura", terá de haver uma reestruturação da dívida em Portugal, porque as perspectivas de crescimento real e da inflação "são muito más" e vão implicar "um fardo muito grande na dívida" portuguesa. "A questão que me faço é: vocês estão dispostos a prosseguir o mesmo tipo de austeridade nos próximos 10 a 15 anos? Acho que a vossa sociedade não vai ser suficientemente forte para isso e é por isso que digo que a reestruturação da dívida devia ser feita", concluiu.

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