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A pouco mais de um mês da Cimeira de Cancun ainda há muito para fazer

As negociações sobre as alterações climáticas estão a decorrer a um ritmo "muito lento". A Cimeira de Cancun tem início marcado para 29 de Novembro.

Ana Luísa Marques anamarques@negocios.pt 11 de Outubro de 2010 às 16:45
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No entanto, desde o falhanço da Cimeira de Copenhaga, pouco ou nada se avançou nas negociações que visam alcançar um acordo internacional vinculativo de redução das emissões de gases com efeito de estufa.

No final da reunião de Tianjin, que decorreu na semana passada, a Comissária Europeia para as Alterações Climáticas, Connie Hedegaard, afirmou que as negociações estão a decorrer a um "ritmo muito lento". Por exemplo, afirmou a responsável, "têm existido progressos insuficientes na transcrição de elementos principais do Acordo de Copenhaga para documentos das Nações Unidas". "A falta de progresso nesta questão é motivo de preocupação", alertou Connie Hedegaard.

"O 'gap' entre os textos debatidos na sessão final da reunião de Tianjin e as decisões que precisamos de alcançar em Cancun continua a ser muito grande. Será necessário realizar muito trabalho nas próximas semanas", afirmou a comissária Europeia.

Mas este não é único problema que preocupa os organizadores da Cimeira de Cancun. Dez meses após a Cimeira de Copenhaga, os Estados Unidos continuam sem ter legislação sobre as alterações climáticas. O projecto-Lei está actualmente "retido" no Senado e não deverá ser votado tão cedo já que o país se prepara agora para as eleições de Novembro.

Sem uma legislação sobre as alterações climáticas, os Estados Unidos continuam assim sem margem de manobra para assinar um acordo vinculativo, já que qualquer acordo internacional, para ter efeito no país, tem que ter a aprovado pelo Senado.

Entretanto, os dois maiores poluidores mundiais – Estados Unidos e China - continuam a trocar acusações entre si. Por um lado, os Estados Unidos acusam a China de não se comprometer com reduções de emissões de CO2 (o país assinalou apenas que iria reduzir a intensidade de carbono, o que na prática significa que vai continuar a aumentar as suas emissões) e de não aceitar nenhum tipo de monitorização.

Por outro lado, a China exige aos Estados Unidos e a outros países ricos que façam mais para combater as alterações climáticas. A China defende que os países mais desenvolvidos têm uma responsabilidade histórica no aquecimento do planeta e devem ser eles a resolver grande parte dos problemas.

Mas uma das questões que mais tem dividido os países desenvolvidos e em desenvolvimento é o financiamento. Os países mais pobres exigem que os seus esforços para reduzir as emissões sejam financiados pelas nações mais ricas.

Na cimeira de Copenhaga, os países comprometeram-se a criar um fundo de curto prazo de 30 mil milhões de euros para países pobres e um fundo de 100 mil milhões por ano a partir de 2020. Mas esta questão está longe de ser pacífica.

Na reunião de Tianjin, Stanley So, membro do movimento Oxfam, afirmou ser crucial que os países ricos não usem o financiamento para conseguir progressos em outras áreas. "Usar o financiamento como uma moeda de troca vai acabar por bloquear as negociações e provocar mais sofrimento aos países mais vulneráveis", disse Stanley So.

Outras questões marcaram o período pós-Cimeira de Copenhaga. O homem forte das Nações Unidas para as alterações climáticas, Yvo de Boer, abandonou o cargo, sendo substituído pela ainda desconhecida Christiana Figueres (na foto).

Mas a questão mais mediática foram os erros encontrados no mais importante relatório do IPCC – Painel Intergovernamental das Nações Unidas para as Alterações Unidas. O IPCC, que recebeu o Nobel da Paz em 2007, e o seu presidente foram alvo de duras críticas após terem reconhecido que o seu quarto e último relatório continha previsões erradas, entre elas o degelo do Glaciar dos Himalaias em 2035. Na altura, muitos críticos pediram a demissão de Rajendra Pachauri mas o líder do IPCC defendeu-se dizendo que este erro não colocava em causa o facto das alterações climáticas serem provocadas pelo homem.

Recentemente, um estudo independente defendeu alterações na gestão e procedimentos do IPCC para evitar erros em futuros relatórios. O IPCC prepara-se agora para iniciar o seu quinto grande relatório, a ser publicado, em 2013.

E o mundo prepara-se para um nova cimeira ambiental, que pode marcar o "nascimento" de um acordo internacional vinculativo que permita reduzir as emissões poluentes responsáveis pelo aquecimento global. O seu sucesso irá depender, em grande parte, da vontade política e do empenho dos dois maiores poluidores mundiais.

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