Ambiente Almaraz: Ordem dos Engenheiros impedida de entrar na central nuclear espanhola

Almaraz: Ordem dos Engenheiros impedida de entrar na central nuclear espanhola

Durante a viagem para Espanha, o grupo de engenheiros foi surpreendido com a decisão do cancelamento da visita. Ordem diz que a situação só pode ser encarada como "uma afronta às mais elementares normas de relacionamento das comunidades técnicas" dos dois países. Empresa diz que objectivo inicial da visita foi alterado.
Almaraz: Ordem dos Engenheiros impedida de entrar na central nuclear espanhola
Bloomberg
Filomena Lança 14 de fevereiro de 2017 às 11:13

"Uma decisão inesperada", cujas "razões e motivações carecem certamente de uma justificação" e que "contraria o são relacionamento e as normas de cooperação que devem pautar o relacionamento técnico entre entidades dos dois países" bem como "a desejável transparência a nível da partilha de informação técnica". A Ordem dos Engenheiros de Portugal comenta, desta forma, a decisão da empresa responsável pela central nuclear espanhola de Almaraz que esta segunda-feira, sem que nada o fizesse prever, decidiu cancelar a visita de uma comitiva de engenheiros portugueses.

A decisão foi comunicada à Ordem já no decurso da viagem para Espanha, apanhando todos de surpresa e surge numa altura em que a central  nuclear tem estado no centro de alguma polémica entre os dois países, na sequência da decisão das autoridades espanholas de, sem terem consultado Portugal, autorizarem a construção de um armazém de resíduos. Almaraz fica a cerca de 100 quilómetros da fronteira portuguesa, pelo que o tema é particularmente sensível do ponto de vista da segurança.

Levantou-se entretanto também a questão do prolongamento, por mais dez anos, do período de funcionamento da central e esta precisamente essa a temática que estava no centro desta viagem a Espanha dos representantes da Ordem dos Engenheiros. Tratava-se "de uma visita de natureza técnica, cujo propósito assentava na recolha de informações sobre a operação da Central, bem como das perspectivas de prolongamento do seu ciclo de vida e sobre a intenção de construção de um depósito de resíduos nucleares", esclarece a Ordem.

 

Essa motivação, acrescentam os responsáveis em comunicado, esteve clara desde o início da marcação da visita, que "estava há muito agendada". Não será esse o entendimento dos responsáveis da Central, explorada pelas empresas Iberdrola, Endesa e União Fenosa. Em declarações à Lusa, fonte da central explicou que "há dezenas de visitas anualmente de cortesia e de caráter técnico" geral, para explicar às mais diversas entidades "o que é e como funciona uma unidade nuclear de produção de eletricidade". No entanto, a Ordem dos Engenheiros pretendia "investigar" as condições de prolongamento da central e a construção do aterro nuclear "e isso não era o tema da visita". 


O cancelamento foi recebido "com total surpresa por parte da Ordem", cuja delegação integrava o bastonário, Carlos Mineiro Aires, os dois vice-presidentes nacionais, membros do Conselho Directivo Nacional, os presidentes dos Colégios Nacionais de Engenharia Electrotécnica e de Engenharia do Ambiente, o coordenador da Especialização de Energia, um membro da Assembleia de Representantes e vários especialistas.


Nada fazia perspectivar que a Ordem, "preocupada com a segurança dos portugueses e com os impactes transfronteiriços" do futuro da central nuclear "pudesse ser confrontada com este desfecho imprevisível" que, consideram os representantes dos engenheiros, "é um mau exemplo do que deve ser o relacionamento, no campo técnico, entre dois países vizinhos" e "uma afronta às mais elementares normas de relacionamento das comunidades técnicas e associativas de Espanha e Portugal".

(notícia alterada às 13:00 com reacção de fonte da Central de Almaraz citada pela agência Lusa)




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