Ambiente Bancos e fundos "verdes" continuam a ser um travão ao investimento em energias limpas

Bancos e fundos "verdes" continuam a ser um travão ao investimento em energias limpas

Fundos "verdes" e bancos continuam a apostar no sector do carbono enquanto sobem de tom apelos para que se transite o investimento em energias fósseis para as energias renováveis. Enquanto isso, discute-se em Paris o futuro do planeta.
Bancos e fundos "verdes" continuam a ser um travão ao investimento em energias limpas
Bloomberg
Inês F. Alves 02 de dezembro de 2015 às 13:53

Alguns dos maiores fundos de investimento focados no clima aplicam o seu dinheiro em empresas tradicionais de petróleo de gás ao mesmo tempo que investem nas energias renováveis e em tecnologia limpa. Enquanto isso, aumentam os apelos das organizações não-governamentais para que os bancos transfiram rapidamente os seus investimentos no sector do carbono para as energias renováveis, muito menos financiadas por estas instituições.

Seis dos 20 maiores fundos que publicitam a "mudança climática" ou o "aquecimento global" têm participações em empresas de petróleo e gás, noticia a agência Reuters, que dá conta de alguns exemplos.

Um fundo climático oferecido aos investidores europeus pelo HSBC, o fundo HBC GIF Global Equity Climate Change, tem participações na petrolífera Chevron, na sul-africana SASOL e no britânico BG Group. As três empresas são grandes emissores de carbono, mas têm feito esforços para reduzir o seu impacto ambiental.

"Não é tanto sobre evitar empresas que emitem carbono, mas em investir em empresas que procuraram adaptar os seus negócios ao desafio [climático] ", explica Charles Clarke, porta-voz do banco, citado pela Reuters.

O fundo do Deutsche Bank denominado Global Warming Prevention Equity Fund, e disponibilizado a investidores asiáticos investiu na Helmerich and Payne, uma empresa norte-americana de exploração de petróleo de gás. Uma porta-voz do banco esclareceu esta terça-feira que a empresa em causa está focada da exploração de gás natural, menos nocivo do que o petróleo ou do carvão, e informou que, entretanto, a entidade bancária se desfez dessa participação.

O fundo Nomura Global Climate Change Fund, lançado em 2007 e um dos 16 maiores fundos no segmento, estava entre os que mais investiu em petróleo e gás, representando cerca de 5,8% do seu portefólio. "Isto mostra realmente que os investidores devem informar-se sobre os detalhes dos fundos [em que investem] e não confiar apenas na sua etiqueta", alertou Meg Voorhes, responsável pelo Fórum para o Investimento Responsável e Sustentável de Washington, EUA.

Investir no clima é um tema quente enquanto os líderes mundiais discutem em Paris as acções futuras para combater as alterações climáticas e para limitar o aumento da temperatura global.

Ao mesmo tempo, várias organizações não-governamentais apelaram esta quarta-feira aos bancos para transferirem rapidamente os seus investimentos no sector do carbono para as energias renováveis, muito menos financiadas por estas instituições, noticia a Lusa.

Segundo um relatório que descreve os financiamentos de 15 grandes bancos europeus e norte-americanos entre 2009 e 2014, publicado por ocasião da Cimeira do Clima, "os bancos ainda são factores de agravamento da crise climática e devem acelerar de forma radical a transferência dos seus financiamentos do sector do carvão para a eficácia energética das energias renováveis", denunciam as organizações Amis de la Terre, BankTrack, Urgewald e Rainforest Action Network.

De acordo com os seus cálculos, "257 mil milhões de dólares foram atribuídos ao carvão pelos maiores bancos internacionais" nesse período, ou seja, 2,5 vezes mais do que às energias renováveis, que beneficiaram de 105 mil milhões dos bancos. 




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