Ambiente Brexit pode custar ao Reino Unido milhares de milhões de libras de fundos verdes

Brexit pode custar ao Reino Unido milhares de milhões de libras de fundos verdes

Numa altura em que Cameron negoceia as condições para a permanência do Reino Unido na União Europeia, pondera-se o custo de um Brexit. O país poderá deixar de ter acesso a fundos de milhares de milhões de libras para a acção climática. Perde não só o Reino Unido, como o ambiente.
Brexit pode custar ao Reino Unido milhares de milhões de libras de fundos verdes
Inês F. Alves 02 de fevereiro de 2016 às 13:42

O Reino Unido arrisca-se a perder milhares de milhões de libras de investimento em projectos de energias renováveis caso opte por sair da União Europeia e, em consequência, deixe de ter uma participação no Banco Europeu de Investimento, noticia a Bloomberg esta terça-feira 2 de Fevereiro.

O Reino Unido é o maior receptor do Projecto de Obrigações para as Alterações Climáticas do Banco Europeu de Investimento (BEI), granjeando 24% dos 7,2 mil milhões de euros investidos pela entidade sedeada no Luxemburgo em energias renováveis e projectos de eficiência energética em todo o mundo desde 2007, escreve a Bloomberg.

Não é claro se o Reino Unido continuará a ter acesso ao fundo do BEI caso saia da União Europeia, diz Peter Munro, responsável de investimento do banco.

Os países que não fazem parte do bloco europeu recebem apenas 12% do total desde fundo. Trata-se de um tema "diabolicamente complicado", diz Munro, acrescentando que a decisão dependeria não só da vontade dos britânicos se manterem como accionistas do banco, como da disponibilidade dos restantes Estados Membros para isto acontecer.

O BEI é o maior emitente de obrigações verdes, e assumiu o compromisso de emprestar o equivalente a 100 mil milhões de euros para a acção climática nos próximos cinco anos para um vasto leque de projectos, desde os transportes sustentáveis, até à eficiência energética, passando pela ajuda aos países em desenvolvimento para fazer face aos desafios impostos pelas alterações climáticas.

O BEI não tem neste momento planos para alterar os contratos existentes ou reivindicar os empréstimos concedidos aos Reino Unido no caso de o país sair da União Europeia.

David Powell, activista ambiental e favorável à permanência do país na União Europeia, considera que o Reino Unido arrisca-se a tornar "o homem sujo da Europa" se optar por abandonar o bloco.

"Se o Brexit significar que o Reino Unido perde o acesso a fundos vitais para estar à altura dos desafios do Acordo de Paris, seria um grande risco para o ambiente a saída da União Europeia", disse, citado pela Bloomberg, referindo-se ao Acordo Climático alcançado na última conferência do Clima (COP21), que teve lugar em Paris, em Dezembro de 2015.

Esta terça-feira, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, apresenta as propostas europeias para que o Reino Unido se mantenha no bloco. O primeiro-ministro britânico, David Cameron, disse que o rascunho das negociações apresenta progressos nas várias áreas em que o Reino Unido exige mudanças, escreve a Reuters.

Este documento servirá de base para o Conselho Europeu que tem lugar a 18 e 19 de Fevereiro em Bruxelas.


As negociações entre Cameron e os representantes da União Europeia vão determinar se o primeiro-ministro britânico fará campanha a favor da permanência do país no bloco europeu no referendo que ainda não tem data marcada, mas que deverá acontecer ainda este ano.


Entre as exigências do Reino Unido para permanecer na União Europeia – algumas das quais implicam a alteração de Tratados - está um reforço da soberania nacional, a garantia de que o Reino Unido não tem de suportar os custos de novos resgates, uma declaração de que que o euro não é a moeda oficial da União Europeia, blindar o país contra o turismo social e focar a actuação da UE na competitividade.


Segundo o rascunho de acordo consultado pela Reuters – que ainda terá de ser aprovado pelos líderes europeus – será permitido ao Reino Unido fazer uso de um travão de emergência temporário para restringir o acesso a benefícios sociais aos migrantes recém-chegados ao país por quatro anos, sendo que os trabalhadores já no país ficariam isentos destas restrições.




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