Ambiente Cimeira do Clima falha acordo para o mercado de carbono

Cimeira do Clima falha acordo para o mercado de carbono

De Madrid deveria ter saído um acordo sobre a regulamentação do mercado de CO2, que faz parte do Acordo de Paris. Conversações falharam, num pesado revés para a cimeira.
Cimeira do Clima falha acordo para o mercado de carbono
Bret Hartman/Reuters
Negócios com Lusa 15 de dezembro de 2019 às 13:16

Mesmo já fora do prazo, foi possível chegar a um acordo entre os países onde se apela ao esforço de todos no sentido de avançarem já em 2020 com objetivos mais ambiciosos para a redução de emissões. O mesmo não aconteceu em relação ao mercado de CO2.

 

O artigo 6.º do Acordo de Paris prevê a criação e regulamentação de um mercado de carbono. O Chile queria que de Madrid saísse um acordo nesta matéria, o que acabou por não acontecer, mesmo com as negociações a estenderem-se muito além do prazo de sexta-feira.

 

"Não estamos satisfeitos" com o resultado, afirmou a presidente da COP25, Carolina Schmidt, durante o plenário de encerramento da cimeira. A ministra do Ambiente chilena reconheceu que os cidadãos pediam "uma resposta mais sólida, mais urgente e mais ambiciosa".

 

"Queriamos fechar um artigo 6.º que nos permitisse implementar um mercado de carbono robusto e com integridade ambiental. Evidentemente é triste não termos conseguido chegar a um acordo", acrescentou Carolina Scmidt.

 

Os países conseguiram, no entanto, chegar a acordo para um documento final, intitulado "Chile-Madrid, hora de agir", alcançado quase dois dias após o prazo.

O acordo final da COP25 estabelece que os países terão de apresentar em 2020 compromissos mais ambiciosos para reduzir as emissões (as chamadas Contribuições Nacionais Determinadas) para enfrentar a emergência climática.

 

Segundo a ONU, é necessário multiplicar por cinco os esforços globais para conseguir um aumento médio de apenas 1,5 graus em relação ao período pré-industrial (a meta mais ambiciosa do Acordo de Paris) e por três para que fique abaixo dos 2 graus. Os planos atuais dos governos levarão a um aumento de 3,2 graus.

 

Segundo o texto final, o conhecimento científico será "o eixo principal" que deve orientar as decisões climáticas dos países para aumentar a sua ambição, que deve ser constantemente atualizada de acordo com os avanços da ciência.

O texto inclui "a imposição" de que a transição para um mundo sem emissões tem de ser justa e promover a criação de emprego. O acordo também reconhece a ação climática de atores não-governamentais, a quem convida a aumentar e generalizar estratégias compatíveis com o clima.

A cimeira da ONU sobre o clima decorreu em Madrid nas últimas duas semanas e deveria ter terminado na sexta-feira, mas a falta de consenso fez com que só hoje esteja a terminar. A cimeira é já a maior conferência sobre alterações climáticas da história.

As anteriores 24 Conferências das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas duraram menos tempo do que a que está ainda a decorrer em Madrid, sob presidência do Chile, que renunciou a organizá-la em Santiago devido à crise interna que o país vive.

Até agora a conferência mais longa tinha sido a realizada em Durban, África do Sul, a COP17, que demoro mais 36 horas após o fim oficial.

O Brasil quase bloqueou hoje o acordo principal da cimeira, ao negar-se inicialmente a reconhecer o papel que os oceanos e o uso da terra têm nas alterações climáticas.




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