Ambiente Conferência do Clima: noite dura de negociações dita adiamento do acordo

Conferência do Clima: noite dura de negociações dita adiamento do acordo

Os delegados deixaram a sala de negociações ao amanhecer. A noite de negociações foi "dura" na Cimeira do Clima (COP21) e esta sexta-feira começou com a confirmação do adiamento do texto final para sábado.
Conferência do Clima: noite dura de negociações dita adiamento do acordo
Reuters
Inês F. Alves 11 de dezembro de 2015 às 10:05

Depois de anunciar um novo esboço de acordo na noite de quinta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros francês e presidente da Cimeira do Clima, Laurent Fabius, informou que o texto final será apresentado às 195 nações presentes no COP21 no sábado e não ao final desta sexta-feira, como inicialmente previsto.

Este adiamento era já antecipado pelas delegações da China e do Reino Unido. Apenas a França se mantinha confiante num acordo final até esta sexta-feira, último dia oficial da Cimeira do Clima de Paris.

Escreve a Lusa que os delegados deixaram a sala de negociações pouco antes das 06:00 (menos uma hora em Lisboa). Uma fonte confidenciou à Reuters que a "noite foi muito dura".

"Países grandes barricaram-se atrás das suas linhas vermelhas em vez de avançarem no sentido do compromisso", contou Matthieu Orphelin, porta-voz da Fundação Nicolas Hulot à Reuters.

O presidente da COP21, Laurent Fabius, manteve-se positivo: "A atmosfera está boa, as coisas são positivas, estão a caminhar na direcção certa".

Paralelamente, o presidente chinês Xi Jinping e o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, falaram por telefone e garantiram que ambos os países continuarão a cooperar nas negociações sobre as alterações climáticas, noticiou a televisão estatal chinesa (CCTV).

Xi Jinping disse que "as duas nações devem fortalecer a coordenação entre todas as partes e trabalhar juntas para garantir que se chega a um acordo na Cimeira do Clima como previsto", adiantou a estação.

Um dos avanços mais significativos nas negociações desta quinta-feira foi o facto de o mais recente esboço apontar para o compromisso de limitar o aumento da temperatura abaixo dos 2ºC face aos níveis pré-industriais.

Segundo a agência, as primeiras reacções das organizações não-governamentais (ONG) foram positivas, apesar de lamentarem os "recuos". Estas mostraram-se satisfeitas por verem presente no rascunho a ambição de um limite de aquecimento do planeta "bem aquém" dos 2ºC em relação ao nível pré-industrial e a menço de uma "continuação dos esforços para limitar a subida a 1,5ºC", escreve a Lusa.

A meta dos 1,5ºC é uma reivindicação de mais de 100 Estados, em particular dos insulares, ameaçados de desaparecimento devido à subida do nível da água dos oceanos, explica a agência.

Neste esboço "alguns pontos específicos permanecem sob reservas" e ainda não estão fechados, reconheceu Laurent Fabius. Tratam-se dos "mais complexos", disse, mencionando "a diferenciação (divisão de esforços entre países desenvolvidos e os outros), o financiamento e a ambição" do acordo, cita a Lusa.

 




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