Ambiente COP21: A escassas horas do fim, Ban Ki-moon faz novo apelo por um acordo em Paris

COP21: A escassas horas do fim, Ban Ki-moon faz novo apelo por um acordo em Paris

O secretário-geral das Nações Unidas assumiu esta sexta-feira que as negociações da Cimeira do Clima foram as mais difíceis em que alguma vez esteve. Espera-se que o texto final fique pronto este sábado, mas permanecem questões importantes em aberto.
COP21: A escassas horas do fim, Ban Ki-moon faz novo apelo por um acordo em Paris
Reuters
Inês F. Alves 11 de dezembro de 2015 às 16:21

Ban Ki-moon disse esta sexta-feira que persistem diferenças entre os quase 200 países reunidos na Cimeira do Clima (COP21) e instou os negociadores a colocar de lado os interesses nacionais e adoptarem uma atitude de compromisso, escreve o The Guardian.

"Não é o momento para falar sobre as perspectivas nacionais. Uma boa solução global ajudará a boas decisões locais", disse. "Estou a instar e a apelar a todos os países que tomem a decisão final pela humanidade", acrescentou, citado pelo jornal.

"Tenho estado em muitas negociações multilaterais difíceis, mas sob qualquer standard, esta negociação é a mais complicada, a mais difícil, mas a mais importante para a humanidade", disse ainda, relembrando que "restam-nos apenas algumas horas".

Depois de anunciar um novo esboço de acordo na noite de quinta-feira, e após uma dura noite de negociações, o ministro dos Negócios Estrangeiros francês e presidente da Cimeira do Clima, Laurent Fabius, informou que o texto final será apresentado às 195 nações presentes no COP21 no sábado e não ao final desta sexta-feira, como inicialmente previsto.

O presidente da COP21, Laurent Fabius, manteve-se, porém, positivo: "A atmosfera está boa, as coisas são positivas, estão a caminhar na direcção certa".

O mesmo acontece com Lord Stern, economista e investigador conceituado na área, citado pelo The Guardian: "A atmosfera entre as partes tem sido a melhor que tenho visto nos últimos 10 anos de COP. Isso tem por base o reconhecimento da magnitude dos riscos, e o reconhecimento sobre como relacionamos a redução da pobreza, o desenvolvimento e a responsabilidade: esse tem sido um elemento-chave no espírito que aqui temos visto".

Apesar deste clima, os especialistas mostram-se cépticos e dizem que o esboço de acordo apresentado é "inconsistente" com as metas propostas.

"A nossa frustração [relaciona-se com o facto de] os compromissos propostos pelos países para cumprir as metas serem absolutamente insuficientes e inconsistentes. E o acordo em cima da mesa é um documento entre débil e perigoso, muito longe de uma agenda para salvar a humanidade", considerou o director do Instituto Potsdam de Estudo do Impacto Climático alemão, Hans Joachim Schellnhuber, citado pela Lusa.

"Se se começa um acordo dizendo que a sua meta deve ser não ultrapassar os 2ºC de aumento da temperatura, esse texto deve marcar um caminho de compromissos e metas racionais para atingir esse objectivo, caso contrário, demonstra vontade política mas falta de realismo e de verdade", alertou, por sua vez, o director do Centro Tyndall de Investigação Climática, Kevin Andersen.

Entretanto e apesar da proibição imposta pelas autoridades na sequência dos ataques terroristas de 13 de Novembro em Paris, as organizações ecologistas convocaram uma grande manifestação para sábado, escreve a Lusa.

As entidades a convocar a iniciativa - como a 350.org, Attac, Confédération Paysanne (confederação do campo), Réseau Sortir du Nucléaire (rede sair do nuclear) e Climate Games - informaram a polícia e esperam "pelo menos oito mil pessoas", disse um porta-voz.

 


 




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