Ambiente COP21: É nas linhas laterais que se fazem os primeiros avanços no combate às alterações climáticas

COP21: É nas linhas laterais que se fazem os primeiros avanços no combate às alterações climáticas

Enquanto os líderes mundiais faziam os discursos de abertura, Bill Gates anunciou um fundo milionário para as energias limpas e o primeiro-ministro indiano apresentou a Aliança Internacional Solar.
COP21: É nas linhas laterais que se fazem os primeiros avanços no combate às alterações climáticas
Bloomberg
Inês F. Alves 01 de dezembro de 2015 às 12:10

Na abertura da Cimeira do Clima em Paris, os líderes mundiais foram convidados a determinar o tom das negociações sobre aquele que se deseja ser um acordo ambicioso, vinculativo, mas também flexível, isto é, que tenha em consideração as necessidades de cada país - sendo que os 195 países representados no COP21 atravessam fases de desenvolvimento distintas e são afectados de forma diferenciada pelas alterações climáticas. Enquanto os líderes mundiais tomavam o palanque para determinar as linhas mestras das conversações, era nas reuniões paralelas que se faziam os primeiros avanços nesta matéria, mantendo em alta as expectativas para esta cimeira.

À margem da Conferência das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas, o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, apresentou a Aliança Internacional Solar, que reúne 121 países situados entre os trópicos de Câncer e de Capricórnio, alguns dos quais têm mais de 300 dias de Sol por ano. O objectivo desta coligação é assegurar a transferência de tecnologia e financiamento para o desenvolvimento em todos os países com potencial solar com capacidade para gerarem energia.

"Queremos trazer a energia solar para as nossas vidas, as nossas casas, tornando-a menos cara, mais confiável e mais fácil de a ligar em rede", disse Narendra Modi, na presença do Presidente francês, François Hollande, e do secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon.

"Não podemos continuar a aceitar o paradoxo de que os países com maior potencial de energia solar produzam apenas uma pequena parte de electricidade solar", afirmou o líder francês.

No mesmo dia, Bill Gates anunciava também em Paris uma coligação energética, um clube informal de 28 investidores privados de todo o mundo, onde se incluem vários bilionários, que acordaram investir na investigação de energias limpas.

Esta coligação, denominada  Breakthrough Energy Coalition, conta com a participação de personalidades de peso, como Mark Zuckerberg, fundador do Facebook; Richard Branson, do Virgin Group; Reid Hoffman, fundador do Linkedin; e Jeff Bezos, fundador da Amazon.

O grupo investirá sobretudo em empresas focadas no desenvolvimento de energias limpas em vários sectores, como a geração de electricidade, armazenamento, transportes e agricultura.

O fundo dos magnatas foi anunciado em conjunto com a Missão Inovação, um esforço de 21 países - onde se incluem os EUA, o Reino Unido, a Austrália, a Alemanha, a China e o Brasil - para duplicarem o seu investimento em energias limpas. A expectativa é que este fundo venha a incrementar o apoio governamental em 20 mil milhões de dólares, cerca de 18,9 mil milhões de euros.

"As energias renováveis que temos hoje, como a energia do vento ou solar, fizeram um grande progresso e podem ser um caminho para um futuro energético descarbonizado (…) mas dada a dimensão do desafio, precisamos de explorar caminhos diferentes, o que significa que temos de ter novas abordagens. As empresas provadas vão eventualmente desenvolver inovações energéticas, mas o seu trabalho terá de partir do tipo de pesquisa básica que apenas os governos podem financiar. Ambos têm um papel a desempenhar", explicou o co-fundador da Microsoft, Bill Gates.

Até 11 de Dezembro, em Bourget, na periferia de Paris, representantes de 195 países discutem um acordo para a redução das emissões de gases com efeito de estufa. As expectativas são de um entendimento que coloque países desenvolvidos e em desenvolvimento a trabalhar para um objectivo comum, o de limitar o aumento da temperatura a 2ºC até ao final do século, tendo por base os níveis pré-industriais.

Com as contribuições nacionais apresentadas voluntariamente por mais de 170 países (denominadas INDC), é possível limitar este aumento aos 2,7ºC, um valor que fica acima da meta dos 2ºC, a partir da qual a comunidade científica acredita que os efeitos das alterações climáticas serão dramáticos.

Entre os assuntos pendentes nesta cimeira está um mecanismo de revisão das metas nacionais de cinco em cinco anos – o que pode permitir respeitar o limite dos 2ºC – e o financiamento aos países em desenvolvimento para mitigarem os efeitos das alterações climáticas, adaptarem as suas infra-estruturas e fazerem a transição para uma economia de baixas emissões.

 

 

 

 

 




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