Ambiente COP21: O "relógio não pára", alerta Ban Ki-moon no arranque da segunda semana de negociações

COP21: O "relógio não pára", alerta Ban Ki-moon no arranque da segunda semana de negociações

Com um rascunho já aprovado, mas ainda muitas questões em aberto, os ministros do Ambiente e outros altos responsáveis dos quase 200 países presentes na Cimeira do Clima lançam-se na segunda semana de negociações.
COP21: O "relógio não pára", alerta Ban Ki-moon no arranque da segunda semana de negociações
Reuters
Inês F. Alves 07 de dezembro de 2015 às 12:31

Alertando que "o relógio não pára", o secretário-geral das Nações Unidas urgiu esta segunda-feira os países representados na Cimeira do Clima de Paris (COP21) a chegarem um acordo forte para limitar o aquecimento global e transformar a economia tornando-a mais verde e sustentável.

"Fora destas salas há uma crescente onda de apoio a um acordo forte e universal", disse Ban Ki-moon aos ministros do Ambiente e das Relações Internacionais presentes em Paris, citado pela Reuters, no arranque da segunda semana de negociações.

Ban Ki-moon pediu aos representantes dos quase 200 países presentes na cimeira que não cedam às difíceis escolhas que enfrentam. "O mundo espera mais de vocês do que meias medidas e aproximações incrementais", disse o secretário-geral das Nações Unidas, reforçando que o foco deve ser um "acordo transformador".

O acordo final deverá incluir, segundo o secretário-geral das Nações Unidas, um mecanismo de revisão dos compromissos nacionais já efectuados a cada cinco anos, com início antes de 2020. Alguns países em desenvolvimento estão renitentes em aprovar esta medida num espaço de tempo tão curto.

Ban Ki-moon disse ainda que o sector privado precisa de um sinal claro de que a transição para uma economia com baixas emissões de carbono é "inevitável" e instou as nações ricas a assumir um papel de liderança na redução das emissões de gases com efeito de estufa.

No seu discurso esteve igualmente presente a necessidade de disponibilizar, como prometido, o fundo de 100 mil milhões de dólares aos países em desenvolvimento, que deverá ajudá-los a mitigar os efeitos das alterações climáticas e a adaptar as suas infra-estruturas para uma economia com baixas emissões de carbono.

Os negociadores já aprovaram um projecto de acordo este sábado, e entregaram as questões mais difíceis aos altos responsáveis das nações, que irão prosseguir com as negociações esta semana.

Quase todos os Estados farão discursos breves esta semana delineando as suas políticas nacionais e as suas expectativas sobre um novo acordo climático, sendo que a versão final do documento deverá estar concluída até sexta-feira.

Para acelerar o processo, o ministro do Exterior francês, Laurent Fabius, formou comités de trabalho liderados por ministros para lidar com os temas mais complicados, onde se inclui a diferenciação de medidas entre países ricos e nações pobres, questões críticas de financiamento e os mecanismos de monitorização das metas nacionais com vista ao seu incremento.

Alguma forma de acordo parece certa, escreve a Reuters, com as principais potências desejosas de fazer esquecer a desilusão com a Cimeira do Clima de Copenhaga, de 2009.

Todavia, os compromissos nacionais (INDC) apresentados pela grande maioria dos países presentes na Cimeira do Clima de Paris para a redução de emissões não serão suficientes para limitar o aumento da temperatura aos 2ºC, o limite a partir do qual a comunidade científica acredita que os efeitos do aquecimento global serão dramáticos.

Assim sendo, aumenta a relevância de um acordo que permita garantir o financiamento aos países em desenvolvimento, assim como a criação de mecanismos de monitorização que potenciem a revisão regular das metas e compromissos nacionais, tornando-os mais ambiciosos.  

Nas palavras do comissário do Ambiente europeu Miguel Arias Canete, esta será a "semana dos compromissos".

 




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