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Europeus divididos sobre aposta nas energias renováveis

Os líderes da União Europeia reúnem-se hoje e amanhã em Bruxelas numa cimeira que Durão Barroso quer que fique para a história como a demonstração da capacidade da Europa de liderar o combate ao aquecimento global.

Negócios 08 de Março de 2007 às 11:08
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Uma das traves-mestras da nova política europeia passa por uma aposta determinada nas energias renováveis. Mas nem todos os países querem atar as mãos com metas vinculativas, ao mesmo tempo que persistem divergências sobre a opção nuclear.

A União Europeia (UE) volta hoje a correr o sério risco de surgir dividida, com uma acentuada clivagem entre o Leste e o Ocidente, a propósito do ambicioso pacote de medidas na área da energia e do ambiente, mediante o qual a Comissão Europeia acredita que a Europa pode – se juntar esforços e falar a uma só voz – liderar nova "revolução pós-industrial" e o combate ao aquecimento global à escala mundial.

Ainda que os 27 Estados-membros estejam de acordo quanto ao diagnóstico e à necessidade de mudanças profundas nos seus hábitos e políticas energéticas, subsistiam ontem divergências em relação a uma das traves-mestras da estratégia que Durão Barroso tem vindo afincadamente a promover em todas as capitais europeias: a aposta nas energias renováveis.

Bruxelas quer que os Estados-membros assumam, preto no branco, o compromisso de, o mais tardar em 2020, 20% do total da energia consumida ser proveniente de fontes renováveis (solar, eólica, hidráulica e biomassa), acreditando que "metas vinculativas" são fundamentais para conferir credibilidade ao posicionamento da Europa se esta quiser, de facto, ser pioneira no combate mundial contra as alterações climáticas. "A energia é hoje a grande razão para a integração europeia." "Se o pacote for aprovado, estou convencido de que os Estados Unidos e a Rússia vão aliar-se à Europa numa estratégia comum de combate às alterações climáticas", confessou Durão Barroso em entrevista recente ao Jornal de Negócios.

Bruxelas argumenta ainda que o investimento nas renováveis é igualmente fundamental para reduzir a vulnerabilidade política e  económica do velho continente, em especial face à Rússia e aos países do Médio Oriente – regiões do mundo cada vez mais instáveis. De acordo com projecções da Comissão Europeia, na ausência de alterações políticas profundas, o grau de dependência energética da UE passará de 50% em 2000 (Portugal é já hoje dos mais dependentes, importando 83% do que consome) para 70% em 2030.

Mas boa parte dos países de Leste teme que o compromisso nas renováveis possa travar o seu processo de desenvolvimento, ao passo que a França pretende que seja estabelecida uma meta para fontes de energia com baixo teor de carbono,  o que inclui o nuclear – fonte que gera cerca de metade da electricidade consumida no país, e que continua a provocar fortes anticorpos em diversos países europeus, entre os quais Portugal.

Outro ponto controverso do "pacote energia" diz respeito à organização europeia dos mercados de electricidade e gás, que permanecem extremamente fragmentados. Depois de ter defendido a criação de um regulador europeu e a "clara separação da produção de energia e da sua distribuição" de modo a introduzir maior concorrência (e teoricamente, mais eficiência e preços mais baixos), Bruxelas foi obrigada a recuar, devido à oposição da França e da Alemanha a uma proposta que significaria o fim dos grandes conglomerados energéticos, como a francesa EDF e a alemã E.On, proprietárias quer das centrais de produção energética quer das redes de distribuição. Em alternativa, a Comissão Europeia quer agora que os líderes europeus dêem luz verde à emergência de entidades regionais que ficariam responsáveis pela observância de uma gestão mais competitiva das redes de distribuição de energia.

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