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Paulo Nunes de Almeida: Investimento das empresas em I&D aumenta para cerca de 50%

O peso da despesa do sector empresarial no I&D total subiu de pouco mais de um quinto (21,2%) em 1995 para cerca de metade (45,7%) em 2014 refere Paulo Nunes de Almeida, presidente da AE Portugal

Filipe S. Fernandes 18 de Janeiro de 2016 às 19:58
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Licenciado em Economia pela Universidade do Porto, Paulo Nunes de Almeida iniciou a sua vida profissional no Banco Português do Atlântico (1982-1984), tendo depois desenvolvido a sua actividade empresarial, especialmente no sector têxtil, tendo sido até 2014 administrador da TRL - Têxteis em Rede., que foi afectada pela crise económica.

O actual presidente da Associação Empresarial de Portugal tem uma grande ligação com o associativismo empresarial tendo sido vice-presidente da ANJE (1986-1996) e presidente da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP).

A inovação já faz parte das empresas portuguesas? Há indicadores sobre esta tendência?
A aposta na inovação é crucial em termos de competitividade e o nosso país tem vindo a registar um progresso assinalável, convergindo com o padrão europeu em matéria de indicadores de I&D. A despesa total em I&D, medida em percentagem do PIB, subiu de 0,5% em 1995 para 1,3% em 2014, embora se encontre ainda aquém da meta estabelecida para 2020 (2,7%).

Mas esta progressão foi marcada por um enorme esforço de investimento por parte das empresas. O peso da despesa de I&D do sector empresarial na I&D total subiu de pouco mais de um quinto (21,2%) em 1995 para cerca de metade (45,7%) em 2014, o que demonstra de forma evidente que a inovação tem feito cada vez mais parte das empresas portuguesas.

Quais são os sectores mais próximos da inovação?
Diria que em praticamente todos os sectores poderemos encontrar actividades de inovação, o que poderá variar é a intensidade e a forma como as empresas inovam - inovação incremental ou inovação disruptiva - que poderá ser ao nível dos produtos/serviços, dos processos, do marketing ou organizacional. Naturalmente, tudo dependerá da estratégia de desenvolvimento da actividade da empresa.
Hoje temos bons exemplos em vários sectores de actividade, mesmo nos ditos tradicionais, como o têxtil ou o calçado, que são actualmente a este nível excelentes referências internacionais.

Como é que funciona a articulação entre empresas, centros tecnológicos e universidades? E a colaboração entre empresas?
Nesta matéria estaremos hoje seguramente melhor do que há alguns anos atrás. Também aqui temos actualmente bons exemplos. Posso até referir mais sectores, para além dos dois referidos na resposta anterior, como é o caso da cortiça, da metalomecânica e da cerâmica, cuja estreita colaboração com os centros tecnológicos tem conduzido a bons resultados.

Mas não tenho dúvidas de que há ainda um longo caminho a percorrer no sentido de estreitar a colaboração entre as instituições do Sistema Científico e Tecnológico e as empresas. De facto, as estatísticas europeias referentes à inovação, como é o caso do Innovation Union Scoreboard, mostram de forma muito clara que estamos bem na produção de conhecimento, mas paralelamente temos dificuldade em transformar esse conhecimento em valor económico. 
Portugal 2020 leva mais doutorados para as empresas   Para Paulo Nunes de Almeida as principais dificuldades e constrangimentos à inovação empresarial que na sua opinião são transversais a outras áreas e terão muito a ver com características do nosso tecido empresarial: "na esmagadora maioria de pequena dimensão (com vantagens em termos de flexibilidade, mas desvantagens em termos de economias de escala); estruturas financeiras débeis, com implicações no acesso ao financiamento; baixa qualificação dos seus activos". Diz ainda há tão poucos doutorados nas empresas portuguesas porque em Portugal existem poucos doutorados com 4,5 doutorados por cada 1000 activos enquanto na Alemanha são 11 doutorados em permilagem da população activa. Por isso, apesar da evolução positiva registada ao longo dos últimos anos de doutorados nas empresas, é um facto que 4% é um número bastante reduzido. A maior parte dos doutorados empregados (83%) exerce a sua profissão no sector do ensino superior. Para esta situação aventa que podem ser "desde razões culturais (pela menor valorização por parte do doutorado do trabalho no sector empresarial/industrial) e, também, pela menor capacidade das empresas em oferecerem níveis de remuneração que possam concorrer com os restantes sectores". Mas a ajuda pode vir do programa Portugal 2020 em que há apoios a empresas na contratação "de recursos humanos altamente qualificados, dotados de grau académico de Doutoramento, como forma de aquisição de massa crítica e de suporte ao desenvolvimento de processos que promovam a inovação empresarial". 
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Saber mais Universidade do Porto presidente da Associação Empresarial de Portugal Paulo Nunes de Almeida ANJE
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