Ambiente Quercus diz que Portugal não consegue cumprir neutralidade carbónica com exploração de lítio

Quercus diz que Portugal não consegue cumprir neutralidade carbónica com exploração de lítio

Um estudo da associação ambientalista Quercus revela que, se o Governo avançar com a campanha de exploração de lítio, Portugal "não vai conseguir cumprir a neutralidade carbónica".
Quercus diz que Portugal não consegue cumprir neutralidade carbónica com exploração de lítio
Bloomberg
Lusa 24 de agosto de 2019 às 15:37

Samuel Infante, da Quercus, referiu este sábado, 24 de agosto, que o relatório sobre o impacte de emissões de CO2 da mineração de lítio em Portugal, que será apresentado na segunda-feira, aponta que, se o Governo avançar com a campanha de exploração de lítio, "Portugal não vai conseguir cumprir a neutralidade carbónica".

 

O responsável que falou do assunto aos jornalistas na Torre, o ponto mais alto da Serra da Estrela, à margem de uma ação organizada por um grupo de cidadãos e associações ambientais contra a exploração de lítio em Portugal, disse que, segundo o estudo, a exploração de lítio irá "ter um impacto muito significativo em termos da qualidade de vida" das populações e ao nível do desenvolvimento local das regiões abrangidas.

 

O estudo, elaborado a nível nacional, revela o "completo contrassenso do Governo" em estar "por um lado a querer atingir a neutralidade carbónica" e, por outro, "avançar com um plano de mineralização do lítio que contraria todo esse investimento e todos esses compromissos que Portugal tem estado a assumir a nível mundial no combate às alterações climáticas", reforçou o dirigente da Quercus.

 

"É um contrassenso e não podemos, por um lado, querer que Portugal assuma a neutralidade carbónica, os compromissos das Nações Unidas, o combate às alterações climáticas, a descarbonização da economia e, por outro lado, estar a querer apostar na mineração com esta dimensão, com esta escala, com este impacto. E isso vai pôr em causa todos os compromissos internacionais que Portugal tem vindo a assumir", disse Samuel Infante.

 

Para o ambientalista, se o Governo quer cumprir os compromissos que assumiu perante as alterações climáticas, "não pode avançar" com o plano de mineração previsto para o país.


O relatório, que vai ser apresentado na segunda-feira, será enviado ao Governo, a quem a Quercus irá também pedir esclarecimentos.

 

Cerca de 400 pessoas participaram hoje na Torre numa ação organizada por um grupo de cidadãos e associações ambientais contra a exploração de lítio em Portugal.

 

A ação, que decorreu no ponto mais alto de Portugal continental, consistiu na criação da mensagem "Não às minas. Water is life [A água é vida]" e no desenho da "árvore da vida, com o recurso aos corpos das pessoas, que foram filmados com um 'drone'.

 

A iniciativa foi promovida pelas organizações Awakened Forest Project e Wildlings, com o apoio de outras entidades como a Tamera, Teia da Terra ou Linha Vermelha.

 

A ação popular surgiu contra a estratégia internacional do Governo português de lançar Portugal como destino para a mineração de lítio, no que a Quercus chama já de "corrida ao lítio", com 10,1% do território para prospeção, segundo os promotores.




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