Autarquias PSD questiona local escolhido pela Câmara de Lisboa para nova Feira Popular

PSD questiona local escolhido pela Câmara de Lisboa para nova Feira Popular

O líder da concelhia de Lisboa do PSD defendeu que a Feira Popular deveria reabrir na Bela Vista e não em Carnide, como foi decidido pela Câmara, questionando a existência de "interesses imobiliários" na escolha desta localização.
PSD questiona local escolhido pela Câmara de Lisboa para nova Feira Popular
Negócios 03 de novembro de 2015 às 19:58

"Há um desapontamento tremendo pela não partilha de um estudo que aponte para esta localização e, por isso, estamos preocupados que possam existir interesses imobiliários anexados a esta localização", disse Mauro Xavier, esta terça-feira, em declarações à agência Lusa.

 

O responsável defendeu que existem, na cidade, "outras localizações que não traziam custos, como a Bela Vista, onde a infra-estrutura já está criada".

 

O presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina (PS), anunciou hoje que a Feira Popular se vai mudar para Carnide e funcionar como um parque urbano de 20 hectares, um projecto "muito ambicioso", que a autarquia quer abrir "o mais rápido possível".

 

Em conferência de imprensa, nos Paços do Concelho, Medina apontou que, "até este momento", o investimento da Câmara nesta infra-estrutura é de 11,5 milhões de euros, valor que se deve à aquisição de parte dos terrenos onde vai funcionar a feira.

 

Para o social-democrata Mauro Xavier este valor já gasto "corresponde à totalidade paga pelos moradores pela Taxa Municipal de Protecção Civil, excluindo as empresas e os espaços comerciais". "É um financiamento por teimosia de uma decisão que vai ter custos para a cidade", vincou.

 

Apesar de se congratular "com a existência desta valência na cidade", Mauro Xavier adiantou que o partido "vai acompanhar de perto e fiscalizar o processo, tanto na Assembleia Municipal como na Câmara", assegurando que se surgir "alguma suspeição", o PSD irá "mandá-la para o Ministério Público".

 

Também o vereador social-democrata António Prôa considerou, em nota enviada à Lusa, que "a localização da futura Feira Popular é uma boa notícia para Lisboa".

 

Apontou a "relevância metropolitana" da feira, o vereador questionou, no entanto, se "será devidamente acautelado o bem-estar dos moradores" e se "a instalação de equipamentos será compatível com o ordenamento do território definido nos instrumentos de gestão territorial". Prôa criticou, ainda, a falta de "aprofundamento [do assunto] nos órgãos do município".

 

A Feira Popular foi criada inicialmente para financiar férias de crianças carenciadas e mais tarde passou a financiar toda a acção social da Fundação "O Século". Antes de Entrecampos, onde encerrou em 2003, a feira funcionou em Palhavã.

 

Os terrenos de Entrecampos estiveram na origem de um processo judicial que envolveu a Câmara de Lisboa e a empresa Bragaparques, que se arrastou por vários anos.

 

Quando a Feira Popular abriu para a última temporada, a Câmara de Lisboa, então presidida por Pedro Santana Lopes, tencionava criar um novo parque de diversões, mas a ideia nunca avançou. Estes terrenos foram, entretanto, colocados em hasta pública por um valor base de 135,7 milhões de euros.

 

Como não apareceu nenhum interessado para o ato público do passado dia 20 de Outubro, a Câmara avançou com uma "segunda fase" do processo de alienação, prevendo vender estes terrenos numa nova hasta pública, a realizar no dia 3 de Dezembro. 




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