Conjuntura Afinal portugueses pouparam mais nos últimos anos, mas tendência de queda mantém-se

Afinal portugueses pouparam mais nos últimos anos, mas tendência de queda mantém-se

Os portugueses pouparam uma fatia maior do seu rendimento nos últimos anos face ao que se calculava anteriormente. Contudo, a tendência de queda mantém-se.
Afinal portugueses pouparam mais nos últimos anos, mas tendência de queda mantém-se
Mariline Alves
Tiago Varzim 23 de setembro de 2019 às 13:01
Afinal os portugueses conseguiram poupar uma maior percentagem do seu rendimento disponível nos últimos anos. Em causa está uma mudança de base das Contas Nacionais que alterou vários números, nomeadamente os do PIB e os do saldo orçamental. Ainda assim, a tendência é a mesma: a poupança está em queda e no nível mais baixo desde, pelo menos, 1995.

O próprio gabinete de estatística admite essa diferença significativa na poupança nos destaques publicados esta segunda-feira. "A taxa de poupança das famílias em 2016 era 5% na base anterior, sendo agora 7%", refere o INE.

Durante esta legislatura, a taxa de poupança começou em 2016 nos 7%, valor igual ao mínimo anterior alcançado em 2008, segundo a nova base (2016) das Contas Nacionais. A fatia da poupança dos portugueses baixou depois para os 6,6% em 2017 e para 6,5% em 2018, o valor anual mais baixo desde 1995, ano em que a série histórica começa, tal como mostra o gráfico que compara as duas séries.

Em 2019, a tendência é de contínua deterioração da taxa de poupança. No ano terminado no primeiro trimestre de 2019, a taxa de poupança baixou para os 6,1% e no ano terminado no segundo trimestre para os 5,9%. Este é o valor trimestral mais baixo desde o terceiro trimestre de 2017.

Ou seja, estes permitem concluir que, durante a atual governação, a poupança face ao rendimento disponível caiu 1,1 pontos percentuais. A série anterior também indicava que a poupança tinha estado em queda nesse período. 

Tal aconteceu em anos em que o rendimento disponível das famílias cresceu. Desde 2015 que o rendimento disponível engordou, tendo atingido o crescimento mais elevado no ano passado (4,4%). Já as remunerações não tiveram exatamente o mesmo comportamento: a maior subida foi em 2017.

A contribuir para a melhoria do rendimento disponível face à base anterior das Contas Nacionais esteve "a revisão em alta das prestações sociais recebidas do exterior". Este fator também contribuiu para o aumento da taxa de poupança na nova série.

"Adicionalmente o rendimento disponível das famílias beneficiou ainda da reclassificação de rendimentos de propriedade do setor das Sociedades não financeiras, na sequência da incorporação de nova informação sobre a distribuição de lucros e estruturas de participações no capital das empresas", esclarece ainda o INE.

Estes dados permitem concluir que durante os últimos anos o crescimento do rendimento disponível foi inferior à subida do consumo das famílias.

A taxa de poupança nos 5,9% no segundo trimestre de 2019 significa que os portugueses poupam 5,9 euros em cada 100 euros.



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