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Alemanha e França dão passo em falso na recuperação económica

Os dados do PMI das duas maiores economias da Zona Euro referentes a agosto foram negativos e colocam em causa uma expetativa já reduzida de recuperação célere da economia europeia.

Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 21 de Agosto de 2020 às 09:13
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A indústria francesa contraiu em agosto e o setor dos serviços na Alemanha estagnou, uma evolução que mostra que a recuperação da economia da zona euro está a acontecer a um ritmo mais lento do que o antecipado.

Esta perspetiva está evidente nos dados do PMI revelados esta sexta-feira pela IHS Markit para as duas maiores economias da Zona Euro.

O índice que mede a evolução do setor dos serviços na Alemanha desceu para 50,8, bem abaixo dos 55,2 estimados. O desempenho do setor manufatureiro foi superior ao esperado, mas o índice compósito caiu para 53,7 este mês, bem abaixo da leitura estimada pelos economistas (55,3).

Em França a evolução foi ainda pior, já que o setor industrial entrou mesmo em contração, com o índice PMI a recuar para 49 quando se esperava 53. O índice compósito, que agrega a evolução da indústria e serviços, caiu para 51,7 face aos 57,3 registados em julho. Uma leitura abaixo de 50 indica uma contração.

Com as duas maiores economias da região a registarem um fraco desempenho, o PMI da Zona Euro também decepcionou. O índice para o setor dos serviço caiu para 50,1 quando se estimava 54,5. No setor manufatureiro situou-se em 51,7, também abaixo do estimado (52,7). O índice compósito desceu para 51,6 face aos 54,9 de agosto.

"A recuperação foi penalizada pelos sinais de aumento de casos de covid-19 em várias regiões da Zona Euro, com novas restrições a impactarem sobretudo o setor dos serviços", refere Andrew Harker, diretor da IHS Markit, dando conta que "as empresas permanecem cautelosas nas decisões sobre emprego". O ritmo da retoma vai depender "em grande parte da taxa de sucesso no combate à pandemia e se as empresas e consumidores reconquistam a confiança necessária para suportar o crescimento".

O PMI revelado pela IHS Markit é seguido com muita atenção pelos mercados uma vez que é dos indicadores avançados mais certeiros na antecipação da atividade económica. Depois de serem conhecidos estes números o euro inverteu para terreno negativo.

Esta evolução representa um passo em falso na tendência de recuperação da zona euro depois de uma quebra histórica no segundo trimestre. E acontece numa altura em que os casos de covid-19 na Europa estão de novo a acelerar, no que muitos já classificam de segunda vaga da pandemia em vários países da região.

O fim do confinamento e o regresso de muitas atividades impulsionou a economia europeia nos meses de junho e julho, sendo que agora avolumam-se os sinais de uma retoma mais lenta, devido sobretudo a novas restrições impostas pelos governos dos países com novos surtos de covid-19.

"O ritmo de recuperação está tremido", comenta Eliot Kerr, economista da IHS Markit. Os resultados de hoje "evidenciam a fragilidade das condições da procura e colocam ainda mais em causa o cenário de recuperação em V que muitos desejavam".

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